TEMPESTADE

Início de ano letivo, alunos chegando ao Ensino Médio no alto dos seus 14 ou 15 anos, muitos alvoroçados com a sensação de “somos os mais velhos da escola!” e outros inseguros com a expectativa de um futuro desconhecido.

Todos os professores entram em sala durante a semana apresentando a si mesmo e ao curso que segue: como funcionará o cálculo de notas, os deveres, os livros e apostilas, quais serão os limites e as regras básicas de convivência, e o que se espera desta criança-adulta em um futuro próximo.

Quantas informações e sensações distintas esse adolescente vivenciará em apenas uma semana de aula!

– E como será o resto do ano? Vou dar conta de tudo? Vou formar uma banda! Serei bem aceito pelos outros alunos? Que aula chata, será que chega logo o intervalo? Não vou conseguir decorar tantas fórmulas. Que bom que não sou a mais baixinha da sala! Será que o vestibular é tão difícil assim como estão dizendo? Vamos montar um grupo de WhataApp? Acho que ninguém mais gosta de Lady Gaga por aqui. Teremos um time de futebol para competir no campeonato interclasses? Me perdi, qual é mesmo o nome do professor de Matemática B? E o de Biologia A? Essa semana ando meio #chateado. Gostei daquele garoto que senta atrás da Gabriela… Esse professor é demais, nem vi o tempo passar!

Provavelmente essa seja a semana mais representativa do adolescente: dúvidas e certezas, insegurança e auto-afirmação, expectativas de sucesso e de fracasso, euforia e desânimo. Esta fase da adolescência, conforme escreve J. -D. Nasio(1), psicanalista e psiquiatra francês, pode ser definida por três pontos de vista: biológico, sociológico e psicanalítico. Do desenvolvimento dos órgãos genitais e das diferenciadas características físicas, passando pela suscetível imaturidade e também por momentos de puro discernimento, finalizando com o medo da humilhação (ou de #pagarmico) e a angústia da obediência; abordaremos cada um deste caminhos nos próximos posts, fique de olho!

Adolescentes têm surtos de criatividade seguidos por vales de depressão; dias de ansiedade e agitação incontrolável e outros de preguiça profunda; amores incondicionais desprezados da noite para o dia.

E quando tudo isso acaba? A fase adulta, bem como a maturidade afetiva, mostra-se bem definida quando “vive-se sem medo de brincar como uma criança e sem vergonha de mostra-se obediente” (NASIO, J.-D., 2010, p.54) e, melhor ainda, quando sucesso e fracasso passam a conviver em harmonia complementar.

O importante é saber que nenhum adolescente é igual ao outro e que precisamos, a cada dia e a cada encontro, conhecê-los um pouco melhor para também aprender com eles.

Está disposto? Aguarde os próximos posts!

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Autor: 🤓Rafael Pellizzer, professor de matemática e coordenador pedagógico.

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Referências:

  1. NASIO, J. -D. Como agir com um adolescente difícil? Editora Zahar, 2010.

Sugestões de aprofundamento:

Veja os vídeos INTROVERTIDOS E EXTROVERTIDOS, de Susan Cain, e RESPONSABILIDADE, de Ivan Capelatto, nas nossas indicações de pesquisa Eureka!

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