MÉTODO MONTESSORI: A PRÁTICA POR TRÁS DA TEORIA

Muitas pessoas escutam falar sobre o método Montessori mas não são familiarizadas com o assunto. Isso porque no Brasil seguiram-se, durante anos, algumas tentativas de implantação do sistema com pouco repercussão, tanto na rede particular como na rede pública, principalmente em São Paulo. Depois de anos e anos, hoje, o movimento Montessori está se tornando cada vez mais sólido e ganhando adeptos no público em geral, principalmente com a ajuda das redes sociais.

Quando me mudei para os EUA, em 2014, assim que me graduei como pedagoga, notei que em cada quarteirão do pais via-se uma escola Montessori. Achei curioso e resolvi me informar um pouco sobre o assunto, já que eu mesma não sabia absolutamente nada. Curiosamente, percebi, perguntando para americanos, que eles também não eram muito familiarizados, mesmo com tantas escolas montessorianas ao redor deles. Então comecei a ler sobre este método, principalmente com artigos online.

Via crianças de 3 a 6 anos em uma mesma sala de aula, em que os de 6 ensinam os de 3 e os de 3 ensinam os de 6. Também por isso, um bom professor para o método é o professor que menos influencie na sala de aula, que observe e deixe a criança aprender por si só. “Ah, mas nem na teoria esse método parece funcionar, imagina na pratica?!” Resolvi bater em uma das escolas e pedir para assistir a uma aula. Para minha surpresa, não foi tão fácil assim. Exames médicos e até minha ficha policial foi pedida só para algumas horinhas dentro da escola. Ainda estava muito curiosa para entender como tudo funcionava e para finalmente estar dentro de uma escola de educação infantil americana.

Totalmente diferente de uma escola regular, a escola Montessori é do tamanho da criança. As cadeiras, as mesas, prateleiras, tudo para que a criança tenha acesso dentro da sala de aula. Sentei num cantinho e comecei a observar, já julgando e duvidando que o método de fato funcionasse.

Até o momento em que vi um menino de 6 anos servindo seu próprio lanche da manhã (snack) com cereal e leite. Ele pegou a própria xícara, a própria colher, acrescentou o leite e começou a comer. Pegou uma faca (de verdade!), um pedaço de pão e passou a própria manteiga. Comeu. Quando terminou, foi limpar a própria bagunça. Lavar a própria louca. Mas sem querer, derrubou cereal no chão. Olhou ao redor, viu que a professora não estava de olho, deixou a sujeira no chão e saiu de perto. Para minha surpresa (e a do menino de 6 anos também), um garotinho de 3 anos apareceu com uma vassoura e pazinha (do tamanho dele) e começou a limpar a bagunça do amigo. O menino de 6 anos que fez a sujeira, viu a cena, parou o que estava fazendo, pegou outra vassoura e ajudou o de 3 a terminar de limpar sem que nenhuma palavra fosse trocada. Daí que eu entendi: muito mais do que aprender a contar, a ler e a escrever, a importância de se ter crianças de idades distintas em uma mesma sala de aula é a de que eles mesmos aprendem e ensinam moral, independência e autonomia sem a intervenção de um adulto.

Aquela cena me marcou muito. Eu observei que a professora na verdade assistia todo o ocorrido também, de canto de olho, mas não interferiu nas ações deles.

Frequentei a mesma escola, como observadora, por 3 meses. Foi quando decidi que queria ser uma professora montessori também.

O treinamento foi de um ano e literalmente uma lavagem cerebral. Tudo o que aprendi em 4 anos e meio de pedagogia foram praticamente apagados em um ano de treinamento montessori. Trata-se da ideia de que a criança é capaz de aprender sozinha. E é incrível!

A estrutura escolar mais comum hoje deriva de uma organização da época da Revolução Industrial e foi baseada em hierarquias rígidas e relações de poder verticalizadas – e não naquilo que era melhor para o desenvolvimento da criança. Maria Montessori, por meio da constante observação das ações das crianças, desenvolveu as características de uma educação que, sendo eficiente do ponto de vista do conteúdo trabalhado, também colabora constantemente para a construção do equilíbrio interior e da felicidade na vida da criança e do adolescente.

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👩🏻Bruna Pastro, pedagoga especializada no método Montessori.

Bruna Pastro

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