OBESIDADE INFANTIL

Obesidade infantil é coisa séria!

Os cuidados com os ambientes que envolvem as crianças em grande parte do tempo (a casa e a escola) são muito importantes, pois a sua influência na adoção de bons hábitos pode ser essencial para a prevenção da obesidade infanto-juvenil. Recente estudo publicado pelo British Medical Journal revelou que filhos de mulheres que praticam estilo de vida saudável, têm 75% menos probabilidades de desenvolverem obesidade. A escola é uma grande fonte de exemplos para as crianças, então sua responsabilidade é igualmente fundamental. A genética tem suas influências, mas os hábitos são os maiores responsáveis, tanto pela saúde, quanto pela doença.

Dois dos principais hábitos responsáveis pela saúde são a alimentação adequada e a prática regular de atividade física. Sem a incorporação deles na nossa rotina, haverá grandes possibilidades do desenvolvimento da obesidade, uma das principais causas de morte em todo o mundo e está relacionada a uma variedade de comorbidades.

Assim, má alimentação, pouca atividade física e sedentarismo são fatores determinantes para excesso de peso e obesidade, em conjunto com outros hábitos de vida e consumo. Portanto, é cada vez mais clara a necessidade de políticas e ações, em todas as esferas da sociedade, voltadas para maior conscientização sobre as consequências do estilo de vida.

E quando se fala no estabelecimento de políticas, a escola é um ambiente fértil para o seu desenvolvimento e transformação em cultura. É de responsabilidade de todas as instituições de ensino, portanto, atuar para as boas práticas, também nesse tema, pois é na infância que se definem os caminhos do futuro, para o bem, ou para o mal.

Apesar de tantos alertas, pesquisas revelam que a obesidade infantil atinge índices alarmantes no mundo todo. Nos últimos 40 anos, o número de crianças e adolescentes obesos cresceu cerca de dez vezes, atingindo 124 milhões de pessoas. E no Brasil não é diferente… A taxa é também muito elevada. O ministério da Saúde estima que 33% das crianças entre 5 a 9 anos já estejam acima do peso.

A maior preocupação com esse tema reside no fato de que a obesidade pode desencadear o desenvolvimento de várias e sérias doenças, ainda na infância: hipertensão arterial, dislipidemias (aumento de colesterol e triglicérides), diabetes, doenças respiratórias, cardiovasculares e osteorticulares, com consequências desastrosas para toda a vida.

Não menos graves e importantes, o desenvolvimento de problemas emocionais como ansiedade, depressão, que podem levar ao isolamento, queda no rendimento escolar e o tão temido bullying e suas repercussões.

Estudos publicados na 22° edição do Boletim Cientifico que utilizou uma corte epidemiológica francesa denominada “CONSTANCES”, apontou uma relação direta entre a obesidade e a utilização de recursos de cuidados de emergência, aumentando ainda mais em casos de obesidade severa. O aumento de 60,2% na população obesa no Brasil em 12 anos impacta diretamente nos desafios dos setores de saúde, que já buscam alternativas para lidar com a maior longevidade, fator positivo e que deve ser comemorado, mas que carrega, consequentemente, aumento de comorbidades da população, entre outros fatores.

Considerando a população geral, segundo dados da Agência Saúde do Ministério da Saúde, obtidos com o último Vigitel – Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – após anos de crescimento, a prevalência de obesidade e excesso de peso estagnou-se nas capitais do país e brasileiros já demonstram hábitos mais saudáveis.

A pesquisa Vigitel de 2017 apontou, entretanto, que quase 1 em cada 5 (18,9%) são obesos e que mais da metade da população das capitais brasileiras (54,0%) está com excesso de peso. Na contramão destes altos percentuais, observou-se, positivamente, que o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 4,8% (de 2008 a 2017). Quando observado o consumo recomendado, 5 ou mais porções por dia em cinco ou mais dias da semana, houve aumento de mais de 20% entre os adultos de 18 a 24 anos e 35 a 44 anos. A prática de atividade física no tempo livre também melhorou, aumentando 24,1% (de 2009 a 2017) e o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 52,8% (de 2007 a 2017) saindo de 30,9%, em 2007, para 14,6% no ano passado.

Mas, apesar das mudanças positivas nos hábitos da população, os níveis de obesidade e excesso de peso ainda preocupam nos jovens. Em dez anos, houve o crescimento de 110% no número de pessoas de 18 a 24 anos que sofrem com obesidade, quase o dobro do aumento em todas as faixas etárias (60%). Quanto ao excesso de peso, o crescimento foi de 56%.

O incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades físicas é prioridade do Governo Federal. O Ministério da Saúde adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país, assumindo como compromisso:

1. deter o aumento da quantidade de obesos na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional;

2. reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019;

3. ampliar em no mínimo 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada, a publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. Em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), o Ministério também conseguiu retirar mais de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos processados em quatro anos. O país também incentiva a prática de atividades físicas por meio do Programa Academia da Saúde com mais 3.800 polos habilitados.

Em todas essas medidas, a escola pode ser a propulsora de mudanças culturais, implantando, orientando e adotando práticas de consumo mais saudáveis; hábitos que favoreçam maior mobilidade e atividades físicas dos alunos; atividades de socialização dos alunos, favorecendo os contatos físicos, mesclados aos eletrônicos, tudo na dose e na medida certa da modernização, essencial para o desenvolvimento das crianças, mas sem prejuízo do fator humano, primordial para a saúde emocional de todos e base para futuros adultos mais seguros, autoconfiantes, saudáveis e produtivos.

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Autora: 💆🏻Neusa Pellizzer, fisioterapeuta, gerontóloga e gestora de promoção à saúde

neusa

Sugestões de aprofundamento e referências:

https://www-segs-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/www.segs.com.br/saude/126582-obesidade-em-criancas-e-adolescentes-atinge-indices-alarmantes/amp

http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/43604-apesar-de-obesidade-em-alta-pesquisa-mostra-brasileiros-mais-saudaveis

http://iess.org.br/?p=blog&id=734

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