FRACASSO ESCOLAR I: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Parte I de V

Introdução à investigação sobre o “fracasso escolar”

Na semana passada, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), indicador criado pelo governo federal para medir a qualidade do ensino nas escolas públicas, liberou os dados oriundos de sua avaliação sobre cada estabelecimento de ensino público. Algo já premeditado, foi a considerável quantidade de números negativos referentes às condições de escolarização, que evidencia a persistência dos baixos resultados na educação pública brasileira.

Não demorou muito tempo, para que alguns “especialistas” começassem a regurgitar as suas “teses e teorias”, a fim de “explicar” o profundo e estrutural problema do “fracasso escolar”, ora apontando como causa a “família desestruturada que não educa seus filhos”, ora colocando a culpa sobre os “professores desanimados com a sua profissão”.

Para sair da superficialidade dos “especialistas midiáticos”, é necessário aprofundar a observação sobre o problema exposto. Sendo assim, utilizarei nessa reflexão as experiências que vivenciei durante um estágio na Escola Estadual Coronel Siqueira de Moraes (Jundiaí/SP), as quais serviram como base para uma investigação mais profunda sobre o problema do “fracasso escolar”.

A pesquisa realizada no ano de 2016, veio com a missão de observar, na prática, como a escola estava tratando o problema, procurando ir além do senso comum e explorando os fatores mais profundos que provocam e intensificam o “fracasso escolar”. Além disso, as observações feitas durante o estágio foram articuladas a relevantes noções e conceitos, usualmente trabalhados na área das Ciências da Educação (por exemplo, a exclusão da e na escola, os discursos e práticas preconceituosas no interior da unidade de ensino, entre outros elementos que orientaram e guiaram esta pesquisa).

Adentrando na metodologia da investigação, para a coleta de dados e estatísticas sobre a escola, fontes como o Projeto político-pedagógico e o Plano Gestor foram utilizadas. Trata-se de fontes importantes que apresentam, mais detalhadamente, quais são as dificuldades que a escola vem enfrentando e como ela está reagindo contra elas (foi enfocado mais os problemas relacionados ao “fracasso escolar”).

Os instrumentos de pesquisa usados foram entrevistas realizadas com os alunos, os professores e a equipe escolar (em alguns casos, foi utilizado um questionário, em outros, conversas mais informais).

Foi observada também a sala de aula, a relação entre professor e aluno, assim como entre os estudantes. Procurou-se entender como os preconceitos estão inseridos nesse espaço, assim como eles garantem sentido – de forma equivocada – às relações interpessoais no interior da unidade de ensino.

Para apreender a cultura e o cotidiano escolar, foi analisado cada espaço da unidade de ensino, almejando não só compreender a realidade desta escola, mas também estabelecer conexões com o problema do “fracasso escolar”.

Em breve, na Parte II deste trabalho, veremos o quadro teórico da investigação proposta sobre o “fracasso escolar”.

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Autor: 🤠Gabriel Zanni, historiador responsável pelo portal Logados na História.

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