AVALIAÇÃO FORMATIVA E CONSTRUTIVA

De acordo com HOFFMAN (2012): “a permanente curiosidade do professor sobre a criança é ponto de partida da avaliação.”

Na prática docente, o ato de ver e ouvir as crianças é de fundamental importância para este processo e deve ser um exercício constante, desenvolvido e aprimorado pelo professor e pela instituição como parte da ação educativa.

As aprendizagens, a socialização e as interações entre adultos e crianças são pilares que sustentam a avaliação na educação infantil. Adultos e crianças são personagens principais do processo educativo. A criança vista como protagonista, sujeito potente, ativo e inventivo; o professor, parceiro mais experiente, é convocado a ler, reconhecer, valorizar, mediar e documentar, oferecendo possibilidades educacionais que potencializem o desenvolvimento psíquico, cognitivo e social.

Para isso, devem ser feitas análises subjetivas e objetivas de critérios do desenvolvimento infantil, como por exemplo:

  • Movimento: orientação no tempo/espaço, expressão corporal em atividades, controle de movimentos e habilidades motoras;
  • Música e Arte: distinção de sons, expressão corporal através de música/ritmo, lateralidade em brincadeiras rítmicas, apreciação de obras, percepção e uso das cores, coordenação motora fina, recortes e colagem com autonomia;
  • Social e Emocional: respeito à regras de convívio, atitudes de cooperação, interação em grupo, autonomia, iniciativa e autoconfiança;
  • Linguagem: interação comunicativa, reconhecimento de letras do alfabeto, escuta e apreciação de leitura de textos, narrativa de histórias com sequência temporal, estabelecimento de relação entre som e letra;
  • Matemática: noções básicas de formas geométricas, contagem oral e sequência lógica, comparação de números à quantidade, compreensão de situações problema;
  • Natureza e Sociedade: reconhecimento de características pessoais, nomeia as partes do corpo, identifica animais e seu habitat, compreende o calendário, adota atitudes de conservação e preservação do espaço.

E ainda tendo em vista os eixos estruturantes das práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica propostas pela BNCC, seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na Educação Infantil, as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam empenhar um papel ativo nesta construção. São elas:

  • Aprender a Conviver;
  • Aprender a Brincar;
  • Aprender a Participar;
  • Aprender a Explorar;
  • Aprender a Expressar-se;
  • Aprender a Conhecer-se.

Sendo assim, quanto ao registro e análise do processo de aprendizagem e desenvolvimento, é preciso acompanhar diariamente essas práticas de aprendizagens, realizando observações da trajetória e evolução de cada criança e de todo o grupo, utilizando de atividades, jogos, relatórios, portfólios, fotografias, desenhos, textos, etc.

Através da avaliação contínua, professores, coordenadores e orientadores conseguem observar e analisar o processo de aprendizagem individual, verificando, através de estímulos, atitudes ou características que não correspondam ao resultado esperado para a faixa etária. Todas essas observações podem sinalizar para a família a necessidade de uma possível pesquisa, intervenção e/ou tratamento relacionados aos transtornos e dificuldades de aprendizagem, como por exemplo: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Dislexia, Discalculia, Transtorno do Espectro Autista, Distúrbio do Processamento Auditivo Central.

Até o controle de frequência dos alunos é fator importante no processo de avaliação. Todo início de aula, através de uma simples atividade, é possível fazer um controle da presença dos alunos: pode ser a tradicional “chamada” nome a nome por parte do professor, ou até propor que os próprios alunos se apresentem aos colegas, colocando junto ao seu nome uma cor favorita ou uma palavra nova que aprendeu. Diversas brincadeiras podem permitir que o professor, além de registrar os alunos presentes, aproveite para construir e avaliar um dos critérios já citados, como: linguagem oral e comunicação, classificação e ordem alfabética, noção da quantidade de alunos na sala, variação de humor, entre outros.

Para ZABALA (1998, p. 220), as avaliações devem ser rotineiras e constantes, além de quase que obrigatoriamente serem diversificadas tanto em relação aos objetos de estudo quanto em relação aos sujeitos da avaliação.

Segundo ele:Também devemos aprender a confiar nas possibilidades dos alunos para auto-avaliar seu processo. O melhor caminho para fazê-lo é ajudar os alunos a alcançar os critérios que lhes permitam se auto-avaliar, combinando e estabelecendo o papel que esta atividade tem na aprendizagem e nas decisões de avaliação que tomam. A auto-avaliação não pode ser um episódio nem um engano; também é um processo de aprendizagem de avaliação do próprio esforço e, portanto, é algo que convém planejar e levar a sério.”

A auto-avaliação pode ser construída desde os anos iniciais, desde que bem preparada e explicada. Como consequência natural, desenvolve no aluno auto conhecimento, além de capacidade de adaptação e superação, pois passa a ter controle sobre suas ações e sentimentos.

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Autores:

👠 Erika Picolo, graduada em pedagogia e coordenadora pedagógica.

🤓 Rafael Pellizzer, professor de matemática e coordenador pedagógico.

erikarafael
Referências:

HOFFMANN, J. Avaliação e educação infantil: um olhar sensível e reflexivo sobre a
criança. Porto Alegre: Mediação, 2012.

ZABALA, A. A avaliação. In: A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Art Méd, 1998. cap. 8, p. 195-200.

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