ENSINO ATRAVÉS DE PROJETOS II

Nessa concepção de ensino-aprendizagem, há um considerável reforço do coletivo. Nada se faz de forma isolada e individual, uma vez que o conhecimento é construído a partir do diálogo e da ação conjunta entre os estudantes, bem como entre o corpo discente e o professor. Atuando como um mediador, o educador planeja e oferece os materiais que possibilitam o contato do estudante com diversos objetos do saber.

De acordo com a educadora Indira Aparecida Santana Aragão Favareto, nos projetos de trabalho, os alunos “aprendem a argumentar sobre suas escolhas, relacionam diferentes tipos de conhecimentos, através da seleção de várias informações. Aprendem também a trabalhar em grupo, ouvir o outro e compreender que o conhecimento se constrói a partir da conexão de diferentes aspectos e, com isso, são estimulados a dar explicações coerentes aos fatos e conceitos, compreendendo diferentes perspectivas do conhecimento”.[1]

Tendo como base os elementos teóricos anteriormente discutidos, agora é possível partir à prática. Para que exista um entendimento maior sobre o que é um projeto de trabalho, utilizarei um exemplo aqui para melhor exemplificá-lo.

Em uma turma do 1º Ano do Ensino Médio, um professor de História decide utilizar os projetos de trabalho, como uma forma alternativa aos modos tradicionais de ensino e avaliação, além da aplicação dos saberes disciplinares e curriculares.

O professor terá os seguintes assuntos para tratar durante o bimestre: a chegada da modernidade e as repercussões culturais no Brasil; as mudanças socioespaciais na cidade do Rio de Janeiro e as consequências das alterações no espaço urbano carioca; o movimento operário no estado de São Paulo, durante a República Velha; a construção e o funcionamento da Política do Café com Leite; os fatores que concorreram à crise da República Oligárquica.

Sobre a metodologia dos projetos de trabalho, ao todo, serão oferecidos os cinco temas acima destacados para os alunos. Cada um será convidado a se juntar com outros colegas de classe, a fim de formarem cinco grupos para iniciarem as suas pesquisas.

Durante a elaboração dos trabalhos, a sala de aula funcionará como um espaço dedicado à mediação do professor, seja atendendo às dúvidas dos alunos e os ajudando em suas dificuldades, seja possibilitando nortes ou indicando caminhos para que a investigação de cada grupo se desenvolva, de forma crítica e produtiva.

Além da escola, a casa, a biblioteca, a sala de informática, entre outros locais de trabalho também funcionarão como espaço propriamente dos estudantes que, de forma autônoma e coletiva, desenvolverão as suas pesquisas sobre o tema selecionado.

Recursos e materiais podem ser utilizados durante as atividades dos educandos, tais como fontes escritas (livros, revistas, artigos acadêmicos, periódicos, entre outras), fontes orais (gravações, músicas, entrevistas, entre outras), fontes audiovisuais (filmes, documentários, vídeos do YouTube; entre outras), computadores, entre outros.

Ao concluírem o seu projeto de trabalho, cada grupo poderá apresentá-lo em sala de aula, compartilhando os conhecimentos obtidos e as conclusões alcançadas com os outros colegas. Com a finalização de cada pesquisa, os alunos serão orientados a elaborar uma síntese não só sobre o tema que seu grupo analisou, mas também sobre os elementos levantados pelos outros grupos, sendo capazes assim de articular e sistematizar as diversas informações históricas apreendidas ao longo do bimestre.

Em relação à avaliação do professor, ela não estará presente só no final do projeto de trabalho, mas durante todo o processo de desenvolvimento dele, tendo os seguintes critérios como base: trabalho coletivo; proatividade; cumprimento das metas e dos objetivos propostos pelo grupo; uso crítico das fontes; abstração dos dados coletados; discussão e compreensão crítica dos conceitos utilizados na investigação; escrita e interpretação de texto; exposição oral; relevância social e epistemológica da pesquisa; interesse e participação em sala de aula.

Para concluir o artigo, o exemplo anterior é um dentre vários que podem ser explorados e usados pelo professor, em sala de aula. Tanto no ponto de vista teórico, quanto no prático, é possível afirmar que o ensino através de projetos de trabalho é uma opção interessante e inovadora, capaz de trazer uma maior dinâmica e um maior diálogo entre alunos e professores, desde que seja praticado de maneira crítica e eficiente. A defesa aqui não é pela “extinção” abrupta dos elementos tradicionais, mas sim de sua transformação por meio de diversas e inovadoras oportunidades educacionais que, embora causem um certo desconforto, providenciam inúmeras formas de recrudescimento da qualidade do ensino, assim como da aprendizagem.

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Autor: 🤠Gabriel Zanni, historiador responsável pelo portal Logados na História.

gabriel
Referências:

[1] Indira Aparecida Santana Aragão Favareto. Os Projetos de Trabalho segundo Hernández (1998) e suas contribuições para a prática pedagógica do Professor de Pré-escola. Colloquium Humanarum, vol. 14, n. Especial, Jul–Dez, 2017, p. 634.

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