ESCOLA x PENITENCIÁRIA

O abandono final da juventude brasileira

Não vamos, como sociedade, negar a existência da criminalidade infanto-juvenil. Não sejamos fanáticos, no entanto. Buscar vingança para episódios pessoais não é justiça e nem diminui a insegurança pública. Precisamos resolver o problema, e não seus sintomas.

Comecemos a análise pelo que há de mais básico em nossa estruturação social, o dinheiro. Não existe detento no mundo que não gere imediatamente gastos públicos para a sua manutenção. Em qualquer país em que se queira analisar existe um gasto para que uma pessoa seja encarcerada, nem que tenhamos que nos ater ao gasto de combustível de uma viatura, mas ele está lá. Pois bem, pressupondo que diminuamos erradamente a idade penal brasileira, sugere-se que façamos cortes em que setor da nossa sociedade para que possamos construir e manter novos presídios, profissionais e prisioneiros? Suponho que esta seja uma equação difícil e que por si só torna essa redução inconveniente, mas este argumento isolado é raso e breve.

O que chama mais a atenção para a falha que seria esta decisão é o fato de que de todos os países que reduziram suas idades penais mínimas, absolutamente nenhum obteve redução da criminalidade. Se nosso objetivo é criar uma sociedade mais segura, o ponto que se repete internacionalmente nas nações que alcançaram esse cenário é a educação de qualidade.

Estudos de caso como base para a repetição de um modelo, no entanto, são sempre um fracasso, pois um olhar superficial para compreender algo tão complexo seria perder-se entre as características de cada local; então, dizer que a Bolívia tem idade penal de dezesseis anos não justifica diminuir a brasileira, pois o Japão tem a maioridade penal em vinte e um anos, e isso também não justifica aumentar a nossa. Temos que olhar de duas formas: a escala global para compreender o fenômeno da criminalidade no mundo e depois sim, pensarmos no nosso caso. Apenas copiar ideias teria como destino de um projeto penitenciário uma única possibilidade: a falha. Nossa realidade é única e deve, ainda que à luz de experiências internacionais, ser analisada como um cenário específico e ímpar, que requer adaptações precisas em suas políticas públicas.

Costumamos dizer que o sistema penitenciário brasileiro não funciona o que, no fundo, é verdade. Não funciona para punir parentes de autoridades ou para as próprias autoridades. Não funciona para seu objetivo primordial, que é recuperar o indivíduo como agente social. Em geral 70% das pessoas que estiveram encarceradas voltam a cometer crimes em nosso país. É uma escola do crime, onde o ladrão de galinhas arrependido vai conviver com o cabeça do crime organizado. É ali, com certeza, que não quero nossas crianças. Neste aspecto, podemos criticar nossas penitenciárias, porém, dizer que a lei no Brasil não pune (o pobre) é um erro básico. Temos cadeias superlotadas. Todas. Punimos excessivamente. Onde mais poremos pessoas? Simplesmente não há espaço físico. O que parece mais coerente é evitar que novos criminosos surjam.

Sinto, mas é hipócrita pedir cadeia ao menor assaltante no semáforo e não aos donos de bar que vendem bebida alcoólica aos mesmos menores, ou os que chegam de carrão e compram sua droga das mãos de crianças. Se quisermos alongar o debate, sonegar impostos, beber antes de dirigir dirigir e consumir produtos “piratas” também são crimes, mas o objetivo aqui não é definir o que é crime e sim proteger os jovens. O empenho real desse texto é pensar em como persuadir o jovem marginalizado a viver a vida pelo viés da qualificação e do emprego, e de que isso vale a pena. Fechar a fábrica de criminosos que nosso país se tornou.

Enquanto nossa educação for tratada como o apêndice e enquanto o caminho criminoso for mais fácil para que a criança não seja condenada à severa punição da exclusão social ou a de seu próprio grupo, seja por não poder ter o tênis que os outros têm ou por não usar o celular que os outros usam, enquanto não percebermos que nossas cidades segregacionistas se transformaram em fábricas de criminosos, não vai adiantar levantar a bandeira da redução da maioridade penal. A cada preso, um novo jovem fora da lei surgirá.

Ver o pai procurar emprego dia após dia, voltar decepcionado e ter o medo de ser o filho escolhido para passar fome naquela noite não é exatamente o incentivo social ideal para que o caminho “qualificação – emprego” seja adotado. A qualificação é difícil e o emprego improvável.

Neste contexto, sejamos realistas, ninguém terá medo de punição. Pense no caminho: acordar para ir a uma escola onde talvez haja um professor, para talvez ter aulas e talvez, um dia, se formar para, talvez, arrumar um emprego e talvez receber um salário mínimo de miséria. Me perdoe a repetição, mas talvez a falta de esperança seja uma “pena de vida” muito mais dura do que a do encarceramento, e quem a cumpre está disposto a arriscar.

Prenderemos aos 16. Amanhã aos 14, depois aos 12 e aos 10, até que os sádicos queiram eliminar a idade mínima, sem nunca pensar que o sucesso na redução da criminalidade vem sempre de exemplos baseados em melhorias na educação e no emprego, nunca na punição. Nação que não qualifica para o mercado de trabalho qualifica, em termos gerais, para “outro tipo de mercado”. Quando é que vamos criar um sistema educacional que dispute o jovem com a criminalidade e vença? Quando nossa educação será relevante na construção de um futuro? E que futuro será esse?

O jovem de classe baixa precisa de compreensão e atenção. Quem tem oferecido isso é o crime organizado.

Rio de Janeiro, um morro qualquer. Dia frio. O carrão diminui a velocidade e começa a acompanhar dois jovens de quinze anos, que usavam o uniforme surrado da escola pública – camiseta, bermuda e chinelo. Eles voltam da escola, a aula foi suspensa. Tiroteio. É uma pena, eles queriam a merenda, afinal, almoço hoje não vai ter.

“E aí, molecada. Tão com fome? Frio? De novo…

Pai sumido e mãe desempregada, né? Não tá fácil pra ninguém…

Entra no carro, vamos ali no shopping comer um lanche. Vocês escolhem uma blusa de frio e um tênis legal cada um. Um celular pra cada um falar no whatsapp com os amigos. Aí vocês não vão mais pra escola, não. Nunca aprenderam nada mesmo!

Fica ali, na entrada da favela sentadinho, quando a polícia chegar vocês estouram um rojão e saem correndo. Mas tem que ser todo dia. Quarenta ´conto´ por dia, tá bom? Valeu!”

 O “correto” é recusar o aliciamento. Óbvio que na prática o “correto” não acontece.

Enquanto formos (in)diretamente administrados pelo mercado, inclusive da educação e da segurança, que são muito lucrativos, não poderemos reclamar da transformação destes fatores em mercadorias caras e de pouco acesso, nem portanto, das consequências desse panorama.

A gentrificação que acompanhamos no espaço urbano não enobrece o morador, mas encarece o lugar. Nem todos podem se adequar ao caríssimo espaço imposto pelo sistema, logo não podem pagar por essas mercadorias, ficando renegados aos propositalmente péssimos sistemas públicos. Quem vai comprar educação se a pública for boa? Pedir dedicação ao mercado de trabalho para o adolescente que viveu situações de fome, educação precária, falta de atenção e abandono é como pedir para alguém que nunca viu a água aprenda a nadar sendo jogado em um redemoinho. Não bastassem todas as dificuldades óbvias, há fatores como o ineditismo e a incompatibilidade da bagagem de incertezas com a necessidade de uma rápida e improvável adaptação ao ambiente formal e hierárquico do trabalho. O crime que o rodeou na infância toda agora oferece um caminho mais provável de estabilização financeira. Esse jovem, diferente do “fracassado” pai, que ao buscar trabalho nunca trouxe o que a família precisou para se desenvolver, quer experimentar a sociedade do consumo que lhe é imposta. Talvez ele não se torne um adulto, é verdade, mas ele já não seria um adulto inexistente para todo o resto da sociedade, de qualquer forma?

Se quisermos destruir a criminalidade juvenil, e eu quero, precisamos tratar com mais atenção a inserção desses jovens em uma realidade que não os faça pensar que o risco de serem baleados em um tiroteio ou presos numa perseguição seja razoável frente às improbabilidades que sua vida adulta lhes trará. Isso vem da educação. Do emprego e da renda também, é claro, mas o requisito para estes é a educação pública de qualidade.

Antes que surjam tabelas erradas, 79% de 60 países analisados por uma pesquisa da UNICEF adotam a idade penal aos 18. Os outros 21% dividem-se entre idades maiores e menores que 18, não são todas menores. A Alemanha desistiu da diminuição e a Espanha voltou aos 18 após fracasso com a diminuição.

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Autor: 😎Guilherme Borçal, geógrafo, professor de Ensino Médio e cursinho pré-vestibular.

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Referência:

http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/idade_penal/unicef_id_penal_nov2007_completo.pdf

 

E AÍ, GAROTX?

O que você vai ser quando crescer?

Quando esta pergunta é feita para uma criança, mais num tom de especulação e brincadeira, as respostas não são levadas tão a sério. Ouvem-se as mais variadas respostas e, em geral, acha-se engraçado. Ou por influência da carreira do pai, ou da TV (séries, desenhos, novelas etc.), as crianças, em seus mundos mágicos, sonham em ser alguma coisa quando crescer.

No entanto, quando chega o Ensino Médio, as respostas começam a conter um teor bem mais sério. No terceiro ano então, aí é que o “bicho pega”. Na hora de escolher a Universidade e o curso, é inegável que a escolha vai gerar certa ansiedade e incerteza. Não é para menos; a escolha da carreira, provavelmente, irá impactar no resto da vida de uma pessoa. Não tenho dados estatísticos a respeito, mas é menos comum alguém abandonar o curso e voltar a prestar vestibular para entrar em um outro curso. Portanto, acertando ou não, muitos acabam “tolerando” a profissão para o resto da vida. É muito tempo para fazer algo de que não se goste!!!!!

Assim, é muito importante acertar na escolha; é fundamental tomar algumas medidas com relação aos testes vocacionais, porém, isto não garante o acerto. Até por estarmos em constantes mudanças, podemos muito bem adorar uma profissão hoje e não gostar mais daqui a pouco. Ou “achar” que gosta muito de alguma profissão, mas na hora de fazer o curso perceber que ele não é bem aquilo que você imaginava. No entanto, é preciso coragem para mudanças caso não se identifique com a carreira escolhida, pois passar boa parte do tempo fazendo algo que não se gosta deve ser muito ruim; além do que, em geral, vai fazer mal e ser um péssimo trabalhador.

Durante muito tempo em que fui professor de cursinho preparatório para vestibular, ao ser questionado pelos alunos sobre este tema, minha resposta sempre foi a mesma (e ainda continuo tendo a mesma opinião): “se você gosta MUITO MUITO de alguma área, seja qual for, mesmo que não tenha um apelo grande de empregabilidade e salário, FAÇA E VÁ SER FELIZ. Porém, se não tem muito clara sua escolha, se gosta de muitas áreas (como no meu caso), procure fazer um curso de “boa aceitação” de mercado; cursos com boa empregabilidade, por exemplo”.

Procure ouvir familiares, amigos, professores e especialistas vocacionais, porém, não esqueça que a decisão final deve ser sua! Pressão familiar, Empregabilidade, Salário, entre outras questões pesam muito na escolha, mas será você que irá conviver com a escolha para o resto da vida.

UMA BOA ESCOLHA E SEJA UM BOM PROFISSIONAL!

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Autor: 🔬Prof. Dr. Daltamir Maia, docente na área de Química no IFSP e autor de livros didáticos.

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Sugestões: veja mais sobre o assunto pela visão de uma vestibulanda em nosso texto O QUE EU QUERO SER?

A IMPORTÂNCIA DO “OUTRO” NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Desde a constituição do ser humano, o Outro tem um papel fundamental. Primeiramente a mãe, o pai, a família e depois outras pessoas (babá, professores, colegas): são os Outros existentes na vida da criança.

E esse papel fundamental se justifica pela existência, sobrevivência e manutenção do desenvolvimento humano.

A existência e sobrevivência de um bebê que depende 100% dos cuidados do Outro, é compreensível e concretamente visualizado, pois um bebê abandonado numa lata de lixo morrerá em poucas horas. Mas o que seria essa manutenção como papel fundamental do Outro no desenvolvimento humano?

O ser humano se constitui e constrói sua personalidade através da interação que realiza com o mundo externo (o Outro). Mogli constitui-se menino-lobo através da interação com o Outro. Tarzan é mais um exemplo.

A manutenção que o Outro realiza na vida do ser humano decorre por todas as fases de desenvolvimento (antes do nascer até o final da vida). É o espelho, onde projetamos nossas necessidades e satisfações e nos reconhecemos enquanto humanos. É um elemento fundamental na constituição da saúde ou da patologia humana – lembrando que um sintoma é constituído por três bases (inato, ambiente e relações).

O grande desafio que o mundo contemporâneo nos traz é como garantir a manutenção das relações humanas, em tempos de relacionamentos no campo cibernético, individualizações aceleradas, desapegos afetivos, enfim, a solidão em meio à multidão. A tal da “modernidade líquida”, citada por Bauman, onde as relações humanas são encurtadas, porém transformadas e distorcidas, num mundo fluído, volátil, diariamente mutável.

Não culparemos os avanços digitais pelo afastamento das relações humanas, mas sim o comportamento diante desse avanço. O excesso, como em qualquer situação, tem trazido, principalmente às crianças, afastamentos dos vínculos afetivos, dificuldades de socialização e interação com outras da mesma idade, troca de brincadeiras ao ar livre, gerando inclusive malefícios à saúde física.

É fato que as amizades virtuais não substituem as reais: o olhar, o abraço, o sorriso ou o choro, não podem ser trocados pelos “emojis” que os representam sem a real emoção. No entanto, estudos científicos revelam que a liberação de oxitocina, mesmo em menor quantidade, faz mudanças nos padrões cerebrais, e isso pode ser um facilitador para as amizades reais.

Uma pesquisa feita pela Agência France Presse, mostra que amigos (laços emocionais verdadeiros), trazem qualidade de vida e longevidade. Ter um amigo reduz a probabilidade de a pessoa desenvolver depressão e duplica as chances de cura da pessoa deprimida em 6 a 12 meses. Essa relação afetiva dá a sensação de completude e alegria. Há liberações de oxitocina, cortisol e endorfina, hormônios responsáveis pela sensação de prazer e bem estar.

Para concluirmos, a única forma de garantirmos as manutenções de nossos relacionamentos, é nos aprimorando na arte de cuidar do Outro e dos sentimentos dele. Apreço, afeição, empatia, respeito, confiança, são algumas atitudes positivas que nos ajudam a lidar com as diversidades e adversidades que contemplam as relações humanas.

Segue um trecho do Poema “Mãos Dadas” de Carlos Drummond de Andrade…

“Não serei o poeta de um mundo caduco

Também não cantarei o mundo futuro

Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças

Entre eles, considero a enorme realidade

O presente é tão grande, não nos afastemos

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”

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Autora: 🙋🏻Aline Pandolfi, psicóloga e orientadora educacional.

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Referências Bibliográficas:

FREUD, S. “Obras Completas” – 2ª. Edição, Rio de Janeiro: Imago Editora, 1987

WINNICOTT, D. W. “Os bebês e Suas Mães” – 2ª. Edição, São Paulo: Martins Fontes, 1999

BAUMAN, Z. “Modernidade Líquida” – Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001

FERNANDES, E.G. “Solidão real na era digital”. Revista Psique Ciência & Vida, São Paulo: Editora Escala, Edição 148, Páginas 36-43, 2018

RODRIGUES, C. D. P. “Ciência comprova que amigos são essenciais”. Revista Psique Ciência & Vida, São Paulo: Editora Escala, Edição 151, Páginas 56-63, 2018

O QUE EU QUERO SER?

Essa pergunta começa a ser feita quando nós somos crianças e as respostas são astronauta, veterinária, policial, cantor, bailarina, motociclista, professora, bombeiro, lixeiro, modelo, aeromoça, entre outras. Para nós, nesta época, é mais por brincadeira ou um sonho que está muito longe de se realizar. Entretanto, os anos passam, essa escolha vai se aproximando e também mudamos. Não somos mais aquelas crianças sonhadoras, e assim, o que respondíamos na infância deixa de ser a nossa escolha.

É complicado escolher o que você vai fazer pelo resto de sua vida aos 16, 17 ou 18 anos. Pois no momento achamos que essa é a escolha correta, porém o que faremos se for algo de momento e a escolha certa não for a tomada? Será que nos conhecemos o suficiente para decidir isso, se nem mesmo as pessoas mais velhas se conhecem? Essa decisão deve ser puramente racional, emocional ou um conjunto dos dois? Devemos colocar na balança a opinião de outras pessoas? Devemos considerar mais o salário ou a satisfação pessoal? Como podemos decidir se não conhecemos a rotina da profissão?

Temos que arriscar, pois precisamos decidir em algum momento. Se errarmos, começar novamente é uma opção, mas não é a mais prática. A maioria vai tentar esquecer e continuar trabalhando para ganhar seu sustento, postergando a própria felicidade para depois do expediente, nas férias ou quando se aposentar. Como pode ser visto em uma pesquisa feita pelo Deloitte’s Shift Index, 80% dos entrevistados não estavam felizes com seu trabalho, mas não pretendiam mudar de carreira. Esse comportamento pode causar doenças físicas, mentais e emocionais. Poucas pessoas veem que trabalhar tem que ser bom, tem que fazer bem, ser um dos causadores da felicidade e não uma barreira para ela. Temos que procurá-la, mesmo que, talvez, ela só possa ser alcançada em uma utopia. A busca por ela também é importante, já que isso motiva as mudanças e os momentos felizes são raros nesse mundo caótico.

Por isso vou falar um pouco sobre mim, pois talvez um exemplo ajude. Eu sinto esses medos todos os dias, essas inseguranças. Mas mesmo com toda essa pressão de “tem que ser agora”, tentei escolher a profissão que me faria mais feliz. Que tenha um ambiente em que eu me sinta confortável e aceita, que venha ser a minha segunda casa, onde eu possa continuar fazendo o que eu mais gosto. Tem horas que ainda congelo por não ter certeza, mas ainda vejo que é a decisão mais assertiva. Então, se você, aluno que está passando pela mesma coisa que eu, quiser um conselho, te diria pra seguir seu coração. Escolher uma profissão que te coloque em um meio querido, que se sinta à vontade. Seja com a vida de alguém em suas mãos, um novo motor de alta potência para um foguete, cuidando das psiques humanas, fazendo contas mirabolantes ou até espalhando o conhecimento que você adquiriu ao longo de sua vida, tendo esse ambiente de pressão ou não.

Resumindo com algumas palavras do professor Flavio Bastos, que me deu aula a alguns anos atrás: “tenho certeza que um dia você será uma ótima professora como seria jornalista, engenheira e até astronauta, eu só desejo sempre que, independente da sua escolha, você seja sempre muito feliz!”. Preze pelo seu bem estar físico, mental e emocional. Siga os seus sonhos, não desista, pois, por mais difícil que seja, uma hora vai dar certo!

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Autor: 👩‍🏫 Ana Laudares, estudante de Ensino Médio, poeta em Espelho da Alma e futura professora de Física e Matemática.

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Referências:

Delloite’s Shift Index

SMARTPHONES EM SALA DE AULA ?!

Eis a questão!

Percebam que eu falei smartphone e não celular. Isto porque os celulares, na verdade, os smartphones, se tornaram uma plataforma de trabalho. Através deles se faz pesquisas escolares, paga-se contas, pede-se comida, encontra-se caminhos, enfim, se faz uma infinidade de tarefas. A dependência por estes aparelhos só aumenta.

Eu que já fui completamente contra seu uso em sala de aula, passei a repensar minha posição e no momento estou até usando! Obviamente que ainda proíbo o uso para ligar e ficar em redes sociais, assim como o uso dos fones de ouvido. Porém, como ferramenta de trabalho utilizo em sala de aula; tudo bem que ainda estou usando de maneira tímica (disponibilizo listas de exercícios no google drive que eles acessam durante a aula para acompanhar a resolução), mas já é um começo. Além disso, estou desenvolvendo atividades para uso através dos smartphones no google forms. Cada vez mais estão sendo desenvolvidas mais atividades para uso através desses dispositivos (em todas as áreas).

Na verdade, enquanto educador, sempre me preocupei em encontrar maneiras de facilitar o aprendizado dos meus alunos: de que maneira certo conteúdo de química (minha área) poderia ser assimilado melhor? São muitas as ferramentas que um professor pode usar em sala de aula; e na minha opinião, os smartphones não podem ser desprezados. No entanto, mais que o simples uso por si só, minha grande preocupação é: como posso usar esta nova ferramenta de maneira produtiva? De que maneira ela pode contribuir com o aprendizado do aluno?

Dependendo da disciplina, os smartphones podem ser usados como uma excelente ferramenta de apoio: a pronúncia correta de uma palavra no inglês, mapas e relevo em geografia, pesquisas em história, laboratórios virtuais em química, enfim, são muitas as possibilidades de bom uso destes aparelhos; basta usar de maneira produtiva.

O fato é que não só os smartphones, mas todos os recursos tecnológicos estão auxiliando/promovendo uma grande revolução educacional (chamada por alguns de 4º revolução industrial/educacional). E, apesar da resistência de boa parcela dos professores (acredito que vem diminuindo), é inegável que está cada vez mais difícil proibir esta ferramenta em sala de aula. A própria lei que proibia seu uso foi revista.

O projeto de lei nº 860/2016 altera a lei 12.730/2007, que proibia o uso de celulares em escolas estaduais. Segundo o governo do estado de São Paulo, até outubro de 2018, sistema wi-fi e banda larga serão instalados em todas as 5 mil escolas da rede.

Assim como qualquer outra tecnologia, o uso por si só desta ferramenta não garante qualidade. Na minha opinião, o mais importante é desenvolver atividades que realmente contribuam para a ensino/aprendizado.

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Autor: 🔬Prof. Dr. Daltamir Maia, docente na área de Química no IFSP e autor de livros didáticos.

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CYBERBULLYING

Alerta aos pais e professores,

Cada vez mais cedo, crianças utilizam celulares e redes sociais e, infelizmente, não é todo conteúdo que nós, adultos, conseguimos acompanhar, orientar ou bloquear. E muitas vezes nos deparamos com situações que nem imaginávamos que aconteceriam com crianças a partir de 9 ou 10 anos. É isso mesmo…

Estamos vivendo numa realidade onde a precocidade infantil e a aceleração diária de nossas vidas nos impedem de estarmos juntos, acompanhando o que nossos filhos fazem na internet.

Atualmente, nos deparamos com um novo jogo de desafio virtual, a “Boneca Momo”, que a exemplo da “Baleia Azul” tem trazido pânico e colocado em risco a vida de crianças que dele participam. Representada por uma criatura medonha, magra, de olhos esbugalhados, ela se assemelha a uma mulher pássaro e faz referência a uma escultura japonesa, inspirada por uma lenda local.

Segundo informações, as crianças e os adolescentes são estimulados a telefonarem para um número desconhecido que os adicionam, e a pessoa, com voz fantasmagórica, se identifica como “Boneca Momo” e os induz a passarem informações pessoais e participarem de desafios de sufocamento e enforcamento.

Vamos orientar nossas crianças e adolescentes sobre o uso responsável das redes sociais e internet, e devemos estar alertas e atentos, nos envolvendo e fazendo parte desse universo fascinante e perigoso, fortalecendo assim a intimidade com eles e prevenindo perigos iminentes.

Outro dado importante: de acordo com um estudo realizado pela Intel, aqui no Brasil, em 2015, das 507 crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos entrevistados, 66% disseram já ter presenciado casos de agressões nas redes sociais. E esses índices só aumentam.

Entre os casos mais relatados estão “falar mal de uma pessoa para outra”, “tirar sarro da aparência de alguém”, “zombar da sexualidade de outra pessoa” e “postar intencionalmente eventos em que um colega foi excluído”. São atitudes justificadas com três principais motivos: o primeiro como defesa porque alguém os tratou mal, segundo por simplesmente não gostar da pessoa e por último para acompanhar outros que já estavam fazendo tais agressões.

O que muitos não sabem é que qualquer prática de agressividade via internet é considerada um Crime Virtual, enquadrado em diversos Artigos do Código Penal. São atos chamados de Cyberbullying ou Bullying Virtual, ou seja, quando se utiliza dos instrumentos das redes sociais e internet para constranger, humilhar e maltratar suas vítimas, geralmente com conteúdos depreciativos, mentirosos, boatos, insultos sobre outros estudantes e seus familiares, e até mesmo sobre professores e profissionais da escola.

Os “Bullies”, como são chamados, apresentam atitude perversa e mal-intencionada. Muitas vezes os praticantes se “blindam” no anonimato ou por trás de apelidos (“nick names” ou “nicks” ou perfis falsos/fake)

O papel da família e da escola é orientar as crianças e adolescentes sobre essa prática e suas consequências, porque existe sim, idade e forma adequada de uso da web. Tudo depende da segurança dos pais, orientações claras e objetivas aos filhos e também supervisão contínua, de forma a garantir os benefícios e a afastar os riscos.

Estar atento ao comportamento online deles garante a prevenção para se evitar os conflitos, as possíveis punições judiciais (neste caso, aos próprios pais) e ainda mais importante, evitar uma tragédia.

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Autora: 🙋🏻Aline Pandolfi, psicóloga e orientadora educacional.

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Sugestões de aprofundamento:

“Os novos perigos que rondam nossos filhos – para papais do Século 21” – Tânia Zagury, Editora Bicicleta Amarela (2017)

“Bullying – mentes perigosas nas escolas” – Ana Beatriz Barbosa Silva, Editora Globo (2015)

REPORTAGEM SOBRE A BONECA MOMO

PESQUISA INTEL SOBRE CYBERBULLYING

TEMPESTADE

Início de ano letivo, alunos chegando ao Ensino Médio no alto dos seus 14 ou 15 anos, muitos alvoroçados com a sensação de “somos os mais velhos da escola!” e outros inseguros com a expectativa de um futuro desconhecido.

Todos os professores entram em sala durante a semana apresentando a si mesmo e ao curso que segue: como funcionará o cálculo de notas, os deveres, os livros e apostilas, quais serão os limites e as regras básicas de convivência, e o que se espera desta criança-adulta em um futuro próximo.

Quantas informações e sensações distintas esse adolescente vivenciará em apenas uma semana de aula!

– E como será o resto do ano? Vou dar conta de tudo? Vou formar uma banda! Serei bem aceito pelos outros alunos? Que aula chata, será que chega logo o intervalo? Não vou conseguir decorar tantas fórmulas. Que bom que não sou a mais baixinha da sala! Será que o vestibular é tão difícil assim como estão dizendo? Vamos montar um grupo de WhataApp? Acho que ninguém mais gosta de Lady Gaga por aqui. Teremos um time de futebol para competir no campeonato interclasses? Me perdi, qual é mesmo o nome do professor de Matemática B? E o de Biologia A? Essa semana ando meio #chateado. Gostei daquele garoto que senta atrás da Gabriela… Esse professor é demais, nem vi o tempo passar!

Provavelmente essa seja a semana mais representativa do adolescente: dúvidas e certezas, insegurança e auto-afirmação, expectativas de sucesso e de fracasso, euforia e desânimo. Esta fase da adolescência, conforme escreve J. -D. Nasio(1), psicanalista e psiquiatra francês, pode ser definida por três pontos de vista: biológico, sociológico e psicanalítico. Do desenvolvimento dos órgãos genitais e das diferenciadas características físicas, passando pela suscetível imaturidade e também por momentos de puro discernimento, finalizando com o medo da humilhação (ou de #pagarmico) e a angústia da obediência; abordaremos cada um deste caminhos nos próximos posts, fique de olho!

Adolescentes têm surtos de criatividade seguidos por vales de depressão; dias de ansiedade e agitação incontrolável e outros de preguiça profunda; amores incondicionais desprezados da noite para o dia.

E quando tudo isso acaba? A fase adulta, bem como a maturidade afetiva, mostra-se bem definida quando “vive-se sem medo de brincar como uma criança e sem vergonha de mostra-se obediente” (NASIO, J.-D., 2010, p.54) e, melhor ainda, quando sucesso e fracasso passam a conviver em harmonia complementar.

O importante é saber que nenhum adolescente é igual ao outro e que precisamos, a cada dia e a cada encontro, conhecê-los um pouco melhor para também aprender com eles.

Está disposto? Aguarde os próximos posts!

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Autor: 🤓Rafael Pellizzer, professor de matemática e coordenador pedagógico.

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Referências:

  1. NASIO, J. -D. Como agir com um adolescente difícil? Editora Zahar, 2010.

Sugestões de aprofundamento:

Veja os vídeos INTROVERTIDOS E EXTROVERTIDOS, de Susan Cain, e RESPONSABILIDADE, de Ivan Capelatto, nas nossas indicações de pesquisa Eureka!