ESCOLA x PENITENCIÁRIA

O abandono final da juventude brasileira

Não vamos, como sociedade, negar a existência da criminalidade infanto-juvenil. Não sejamos fanáticos, no entanto. Buscar vingança para episódios pessoais não é justiça e nem diminui a insegurança pública. Precisamos resolver o problema, e não seus sintomas.

Comecemos a análise pelo que há de mais básico em nossa estruturação social, o dinheiro. Não existe detento no mundo que não gere imediatamente gastos públicos para a sua manutenção. Em qualquer país em que se queira analisar existe um gasto para que uma pessoa seja encarcerada, nem que tenhamos que nos ater ao gasto de combustível de uma viatura, mas ele está lá. Pois bem, pressupondo que diminuamos erradamente a idade penal brasileira, sugere-se que façamos cortes em que setor da nossa sociedade para que possamos construir e manter novos presídios, profissionais e prisioneiros? Suponho que esta seja uma equação difícil e que por si só torna essa redução inconveniente, mas este argumento isolado é raso e breve.

O que chama mais a atenção para a falha que seria esta decisão é o fato de que de todos os países que reduziram suas idades penais mínimas, absolutamente nenhum obteve redução da criminalidade. Se nosso objetivo é criar uma sociedade mais segura, o ponto que se repete internacionalmente nas nações que alcançaram esse cenário é a educação de qualidade.

Estudos de caso como base para a repetição de um modelo, no entanto, são sempre um fracasso, pois um olhar superficial para compreender algo tão complexo seria perder-se entre as características de cada local; então, dizer que a Bolívia tem idade penal de dezesseis anos não justifica diminuir a brasileira, pois o Japão tem a maioridade penal em vinte e um anos, e isso também não justifica aumentar a nossa. Temos que olhar de duas formas: a escala global para compreender o fenômeno da criminalidade no mundo e depois sim, pensarmos no nosso caso. Apenas copiar ideias teria como destino de um projeto penitenciário uma única possibilidade: a falha. Nossa realidade é única e deve, ainda que à luz de experiências internacionais, ser analisada como um cenário específico e ímpar, que requer adaptações precisas em suas políticas públicas.

Costumamos dizer que o sistema penitenciário brasileiro não funciona o que, no fundo, é verdade. Não funciona para punir parentes de autoridades ou para as próprias autoridades. Não funciona para seu objetivo primordial, que é recuperar o indivíduo como agente social. Em geral 70% das pessoas que estiveram encarceradas voltam a cometer crimes em nosso país. É uma escola do crime, onde o ladrão de galinhas arrependido vai conviver com o cabeça do crime organizado. É ali, com certeza, que não quero nossas crianças. Neste aspecto, podemos criticar nossas penitenciárias, porém, dizer que a lei no Brasil não pune (o pobre) é um erro básico. Temos cadeias superlotadas. Todas. Punimos excessivamente. Onde mais poremos pessoas? Simplesmente não há espaço físico. O que parece mais coerente é evitar que novos criminosos surjam.

Sinto, mas é hipócrita pedir cadeia ao menor assaltante no semáforo e não aos donos de bar que vendem bebida alcoólica aos mesmos menores, ou os que chegam de carrão e compram sua droga das mãos de crianças. Se quisermos alongar o debate, sonegar impostos, beber antes de dirigir dirigir e consumir produtos “piratas” também são crimes, mas o objetivo aqui não é definir o que é crime e sim proteger os jovens. O empenho real desse texto é pensar em como persuadir o jovem marginalizado a viver a vida pelo viés da qualificação e do emprego, e de que isso vale a pena. Fechar a fábrica de criminosos que nosso país se tornou.

Enquanto nossa educação for tratada como o apêndice e enquanto o caminho criminoso for mais fácil para que a criança não seja condenada à severa punição da exclusão social ou a de seu próprio grupo, seja por não poder ter o tênis que os outros têm ou por não usar o celular que os outros usam, enquanto não percebermos que nossas cidades segregacionistas se transformaram em fábricas de criminosos, não vai adiantar levantar a bandeira da redução da maioridade penal. A cada preso, um novo jovem fora da lei surgirá.

Ver o pai procurar emprego dia após dia, voltar decepcionado e ter o medo de ser o filho escolhido para passar fome naquela noite não é exatamente o incentivo social ideal para que o caminho “qualificação – emprego” seja adotado. A qualificação é difícil e o emprego improvável.

Neste contexto, sejamos realistas, ninguém terá medo de punição. Pense no caminho: acordar para ir a uma escola onde talvez haja um professor, para talvez ter aulas e talvez, um dia, se formar para, talvez, arrumar um emprego e talvez receber um salário mínimo de miséria. Me perdoe a repetição, mas talvez a falta de esperança seja uma “pena de vida” muito mais dura do que a do encarceramento, e quem a cumpre está disposto a arriscar.

Prenderemos aos 16. Amanhã aos 14, depois aos 12 e aos 10, até que os sádicos queiram eliminar a idade mínima, sem nunca pensar que o sucesso na redução da criminalidade vem sempre de exemplos baseados em melhorias na educação e no emprego, nunca na punição. Nação que não qualifica para o mercado de trabalho qualifica, em termos gerais, para “outro tipo de mercado”. Quando é que vamos criar um sistema educacional que dispute o jovem com a criminalidade e vença? Quando nossa educação será relevante na construção de um futuro? E que futuro será esse?

O jovem de classe baixa precisa de compreensão e atenção. Quem tem oferecido isso é o crime organizado.

Rio de Janeiro, um morro qualquer. Dia frio. O carrão diminui a velocidade e começa a acompanhar dois jovens de quinze anos, que usavam o uniforme surrado da escola pública – camiseta, bermuda e chinelo. Eles voltam da escola, a aula foi suspensa. Tiroteio. É uma pena, eles queriam a merenda, afinal, almoço hoje não vai ter.

“E aí, molecada. Tão com fome? Frio? De novo…

Pai sumido e mãe desempregada, né? Não tá fácil pra ninguém…

Entra no carro, vamos ali no shopping comer um lanche. Vocês escolhem uma blusa de frio e um tênis legal cada um. Um celular pra cada um falar no whatsapp com os amigos. Aí vocês não vão mais pra escola, não. Nunca aprenderam nada mesmo!

Fica ali, na entrada da favela sentadinho, quando a polícia chegar vocês estouram um rojão e saem correndo. Mas tem que ser todo dia. Quarenta ´conto´ por dia, tá bom? Valeu!”

 O “correto” é recusar o aliciamento. Óbvio que na prática o “correto” não acontece.

Enquanto formos (in)diretamente administrados pelo mercado, inclusive da educação e da segurança, que são muito lucrativos, não poderemos reclamar da transformação destes fatores em mercadorias caras e de pouco acesso, nem portanto, das consequências desse panorama.

A gentrificação que acompanhamos no espaço urbano não enobrece o morador, mas encarece o lugar. Nem todos podem se adequar ao caríssimo espaço imposto pelo sistema, logo não podem pagar por essas mercadorias, ficando renegados aos propositalmente péssimos sistemas públicos. Quem vai comprar educação se a pública for boa? Pedir dedicação ao mercado de trabalho para o adolescente que viveu situações de fome, educação precária, falta de atenção e abandono é como pedir para alguém que nunca viu a água aprenda a nadar sendo jogado em um redemoinho. Não bastassem todas as dificuldades óbvias, há fatores como o ineditismo e a incompatibilidade da bagagem de incertezas com a necessidade de uma rápida e improvável adaptação ao ambiente formal e hierárquico do trabalho. O crime que o rodeou na infância toda agora oferece um caminho mais provável de estabilização financeira. Esse jovem, diferente do “fracassado” pai, que ao buscar trabalho nunca trouxe o que a família precisou para se desenvolver, quer experimentar a sociedade do consumo que lhe é imposta. Talvez ele não se torne um adulto, é verdade, mas ele já não seria um adulto inexistente para todo o resto da sociedade, de qualquer forma?

Se quisermos destruir a criminalidade juvenil, e eu quero, precisamos tratar com mais atenção a inserção desses jovens em uma realidade que não os faça pensar que o risco de serem baleados em um tiroteio ou presos numa perseguição seja razoável frente às improbabilidades que sua vida adulta lhes trará. Isso vem da educação. Do emprego e da renda também, é claro, mas o requisito para estes é a educação pública de qualidade.

Antes que surjam tabelas erradas, 79% de 60 países analisados por uma pesquisa da UNICEF adotam a idade penal aos 18. Os outros 21% dividem-se entre idades maiores e menores que 18, não são todas menores. A Alemanha desistiu da diminuição e a Espanha voltou aos 18 após fracasso com a diminuição.

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Autor: 😎Guilherme Borçal, geógrafo, professor de Ensino Médio e cursinho pré-vestibular.

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Referência:

http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/idade_penal/unicef_id_penal_nov2007_completo.pdf

 

PROGRESSÃO CONTINUADA II

Veja o início do texto em PROGRESSÃO CONTINUADA I.

Diante da superioridade da progressão continuada frente ao modelo seriado, observada nas tabelas e nos dados acima expostos, é interessante questionar o porquê dela. Por que o uso de ciclos contribui, positivamente, para a permanência escolar e à melhoria do desempenho dos alunos?

Obviamente, ainda existem muitos setores e espaços da educação brasileira, que necessitam ser reformados e desenvolvidos. Só a implantação de progressão continuada não garante o sucesso escolar, devendo estar a ela articulada uma série de elementos que traga à escolarização uma maior qualidade social.

No entanto, o modelo de progressão continuada acompanha uma visão mais completa e crítica do que é Educação. Longe de se reduzir o ato de ensinar a uma mera transmissão de conteúdos predeterminados, ou a ação de aprender a uma simples “decoreba” dos educandos, o processo de ensino-aprendizagem é extenso e contínuo, não havendo séries que dividem o percurso educativo em seções fragmentadas e isoladas entre si (como o modelo seriado geralmente faz). Dessa forma, a reprovação e a retenção de um aluno em uma determinada série não fazem aqui sentido, uma vez que o corpo discente está inserido em um processo de construção de seu próprio saber, sem a necessidade de interrupções ou promoções de uma etapa para outra.

            De acordo com o artigo 32, inciso IV, § 2º da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação):

“Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino”.

Complementando o trecho anterior, segundo o inciso III e o parágrafo 1º do artigo 30 da Resolução n. 7/2010, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação:

“Art. 30 Os três anos iniciais do Ensino Fundamental devem assegurar:

III a continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no Ensino Fundamental como um todo e, particularmente, na passagem do primeiro para o segundo ano de escolaridade e deste para o terceiro.

1º Mesmo quando o sistema de ensino ou a escola, no uso de sua autonomia, fizerem opção pelo regime seriado, será necessário considerar os três anos iniciais do Ensino Fundamental como um bloco pedagógico ou um ciclo sequencial não passível de interrupção, voltado para ampliar a todos os alunos as oportunidades de sistematização e aprofundamento das aprendizagens básicas, imprescindíveis para o prosseguimento dos estudos”.

Tendo como base a legislação e os argumentos favoráveis à utilização de progressão continuada, Paro sintetiza – de forma clara e breve – as vantagens desse modelo para o desenvolvimento integral ou total de cada aluno:

“Progressão continuada e ciclos escolares, embora não tenham o mesmo significado, possuem uma relação muito íntima entre si. A primeira significa, a rigor, a “progressão” em determinado nível de ensino ou ciclo, sem que o aluno tenha de “repetir de ano”. O ciclo, em sentido restrito, é entendido como o conjunto de anos durante os quais a progressão tem validade. De um ponto de vista mais amplo, e em consonância com os avanços das ciências da educação, que consideram, por exemplo, as fases de desenvolvimento biopsíquico e social da criança e do jovem, os ciclos são uma forma de organizar o ensino em períodos que levam em conta essas fases do desenvolvimento humano, durante a formação da personalidade, oferecendo ao educando o tratamento pedagógico mais de acordo com sua idade e estágio de desenvolvimento. Aqui não há por que manter a reprovação, mesmo no final de cada ciclo, pois as mesmas ciências da educação já demonstraram, à exaustão, que tal medida é deletéria ao processo ensino-aprendizado. Só aqui, a rigor, podemos falar de progressão continuada em sentido amplo, em que a continuidade da progressão não é barrada nos finais de ciclos, mas estende-se por todo o nível de ensino”.[1]

Para finalizar, cabe fazer uma ressalva: não adianta ter progressão continuada, se os educandos são tratados de forma desigual e preconceituosa. Não há “milagre” referente ao sucesso escolar, se a lógica da exclusão no interior da escola é tão forte quanto fora dela. Analisando essa questão, o Professor Alceu Ferraro assim pontua:

“(…) que ganho terá tido o novo aluno, se a lógica da exclusão, a que estava submetido quando fora da escola, entrar com ele na escola, ou se lá a encontrar operando no processo de ensino-aprendizagem?”.[2]

No estudo de Dante Moreira Leite, Educação e Relações Interpessoais, questões importantes são levantadas, tais como a homogeneização de um corpo discente heterogêneo, os “extremos” em sala de aula e o tratamento negativo conferido ao estudante “problemático”, o qual produz um aluno desanimado em relação à sua escolarização.

Leite mostra como, na maioria dos casos, o aluno não tem possibilidades de se identificar corretamente em sala de aula, assim como na escola. O processo educativo é feito para um grande número de educandos e, por isso, os alunos são tratados como “grupo”, não como sujeitos distintos entre si. De acordo com o texto: “(…) poucos alunos conseguem ser percebidos, ou poucos conseguem identificar-se através do professor: deste não recebe de volta a própria imagem, a fim de que possam saber quem e como são”.[3] Com isso, a submissão de um corpo discente heterogêneo a um sistema homogêneo é negativa, por não relevar as qualidades e as funcionalidades particulares de cada educando, mesmo que o modelo adotado seja o de ciclos ou relativo à progressão continuada.

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Autor: 🤠Gabriel Zanni, historiador responsável pelo portal Logados na História.

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Referências: 

[1] Vitor Henrique Paro. Progressão Continuada, supervisão escolar e avaliação externa: implicações para a qualidade do ensino. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 48, set.-dez., 2011, p. 698.

[2] Alceu R. Ferraro. Escolarização no Brasil na ótica da Exclusão. In: Fracasso Escolar uma perspectiva multicultural. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 58.

[3] Dante Moreira Leite. Educação e Relações Interpessoais. In (org.) M. H. Patto: Introdução à Psicologia Escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997, 3ª. ed., p. 310.

PROGRESSÃO CONTINUADA I

PROGRESSÃO CONTINUADA: UMA MERA APROVAÇÃO AUTOMÁTICA DOS ALUNOS?

Nos últimos anos, de fato, os resultados da educação brasileira têm sido negativos. Diante de tantas informações desanimadoras, não demora muito tempo para que pseudo-intelectuais ou “especialistas” passem a dar seus palpites, a partir de uma série interminável de achismos profundamente equivocados.

Como normalmente se faz no Brasil, face a uma situação negativa, o primeiro impulso é encontrar um “bode expiatório”, o qual receberá toda a culpa do problema observado. No espaço escolar, ora o aluno é o culpado pelo baixo rendimento da unidade de ensino (porque ele “não gosta de estudar” ou “é rebelde e desobediente”), ora os professores que “não são capazes” de fazer o corpo discente aprender o conteúdo ensinado. Além dos sujeitos escolares anteriores, métodos de ensino-aprendizagem também recebem boa dose da culpa, tais como a progressão continuada, vulgarmente chamada de “progressão automática” por alguns grupos e conhecida como uma “mera forma de aprovar alunos problemáticos”.

Dessa forma, a primeira atitude a ser tomada pelos sujeitos escolares, é nadar contra a corrente do senso comum, aprofundando e aumentando a reflexão crítica sobre as práticas escolares, a fim de que a ação também seja crítica e potencialize tanto a aprendizagem dos estudantes, quanto o ensino da classe docente.

`           Nesse artigo, apresentarei e analisarei a “progressão continuada”, objetivando destacar as suas vantagens e os seus benefícios educacionais em relação à promoção praticada no regime seriado. Ao longo desse estudo, será possível notar que as retenções e as reprovações não auxiliam – de forma alguma – a aprendizagem dos educandos. Pelo contrário, estes dispositivos concebidos como “disciplinadores”, concorrem diretamente à internalização do fracasso escolar pelos alunos, fazendo com que eles tenham a sua escolarização prejudicada, além de aumentar as condições de evasão escolar.

Basicamente, o regime seriado é o modelo escolar em que o aluno é ensinado e avaliado durante uma quantidade delimitada de séries, podendo ser aprovado ou reprovado no final do ano, de acordo com a média ponderada das notas que receber ao longo de um semestre ou ano, articulada com outros critérios avaliativos como a frequência escolar do estudante.

            Superficialmente, a promoção através de séries não parece ser algo prejudicial para os educandos, chegando até ser vista como um instrumento “justo” por muitas pessoas. “Afinal, se o aluno estudou bastante e realizou um bom trabalho, ele merece ser aprovado, e o outro que nada fez, tem que ser reprovado e ponto final”. Será mesmo? Podemos afirmar que esse pensamento expressado pela maioria representa, exatamente, o complexo processo de ensino e aprendizagem?

Em seu artigo “Progressão Continuada, supervisão escolar e avaliação externa: implicações para a qualidade do ensino”, o pesquisador Vitor Henrique Paro ressalta os problemas centrais do modelo seriado, mostrando de que forma o aluno recebe a culpa pela sua reprovação, ao mesmo tempo em que a direção escolar não repensa as práticas pedagógicas de sua unidade de ensino. Assim ele escreve:

“Um dos pontos essenciais relativos à estrutura didática da escola fundamental é a necessidade de superação da tradicional organização seriada do ensino. A esse respeito, tem-se verificado nos últimos anos, especialmente a partir do final da déca­da de 1980, um importantíssimo movimento de tentativas de superação do “regime estúpido das repetições de série” (…), por meio da implementação do regime de ciclos e de progressão continuada em vários sistemas de ensino do país (…). Esse movimento tem-se fundamentado, em grande parte, na maior conscientização de setores responsáveis pela educação que se convencem, cada vez mais, do caráter antipedagógico da reprovação e percebem que o sistema seriado não se sustenta à luz da teoria pedagógica e tem servido apenas para jogar sobre o aluno a culpa pela incompetência do próprio sistema de ensino em levá-lo a aprender”.[1]

Além disso, o regime seriado é claramente antidemocrático, a partir do momento em que ele seleciona os “melhores” ou os “aprovados” e deixa para trás os “fracassados” (aqueles que foram “incapazes” de aprender), segregando a classe discente e recrudescendo múltiplas formas de desigualdade no interior da escola. Analisando essa questão, Paro pontua da seguinte maneira:

“O sistema seriado de ensino mostra sua procedência antidemocrática na me­dida em que serve a uma concepção tradicional de escola fundamental, preocupada não em ensinar, mas em separar os alunos que podem prosseguir, passando de série, dos que não podem. É um sistema tributário de uma pedagogia baseada no prêmio e no castigo como motivações para o estudo, esquecendo-se da característica básica do bom ensino que é a de ser intrinsecamente desejável pelo educando que, assim, estuda porque quer, fazendo-se sujeito, que é a marca da verdadeira relação democrática”.[2]

A reprovação é um dos principais obstáculos para a permanência e sucesso escolar. De acordo com a pesquisa “Avaliando o Impacto da Progressão Continuada nas Taxas de Rendimento e Desempenho Escolar do Brasil”, o baixo desempenho educacional brasileiro está relacionado a um histórico de alto abandono escolar. Segundo os autores desse trabalho, “apesar de uma grande proporção de crianças entrarem na escola, a taxa de evasão sempre foi muito alta, principalmente entre famílias mais pobres, fenômeno comum também aos países latino-americanos. (…) ao contrário do senso comum da época, a alta taxa de evasão entre os mais pobres estava relacionada à alta repetência, principalmente nas primeiras séries da escola, pois a repetência desestimula as crianças e suas famílias a continuar na escola”.[3]

Ao longo da pesquisa, os autores levantam uma série de dados e informações, que evidenciam a considerável disparidade entre as escolas que mantiveram um regime de séries e as unidades de ensino que adotaram a progressão continuada (através de ciclos e sem o uso de reprovações). Enquanto o modelo seriado de promoção concorre ao abandono escolar, a progressão continuada fez com que mais alunos não desistissem de sua escolarização, contribuindo assim à sua permanência na escola.

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Ciclo Brasil (escolas que adotaram a progressão continuada, em nível nacional); Ciclo São Paulo (escolas que adotaram a progressão continuada, no estado de SP).

Com base na tabela acima, observa-se que, no Ensino Médio, a porcentagem de reprovações é maior (particularmente, no início e no final do ciclo). No entanto, por não existir a necessidade do aluno ficar retido em uma série e ele poder continuar avançando juntamente com seus colegas de classe, torna-se quase nula a internalização do fracasso escolar, fazendo com que esse aluno não abandone a escola.

De acordo com os autores, “o impacto sobre as taxas de abandono e aprovação no ensino médio também são estatisticamente significativas. No caso da aprovação, o impacto é menor, mas no caso do abandono, o impacto é surpreendentemente maior do que no ensino fundamental. Os resultados da análise de impacto, portanto, comprovam que houve transbordamento dos efeitos da adoção de ciclos no ensino fundamental para o ensino médio. Uma possível explicação para esse resultado seria que os alunos que frequentam o ensino fundamental em escolas com ciclo têm maior probabilidade de alcançar o ensino médio na idade adequada, o que incentiva a continuidade dos estudos, ou seja, reduz o incentivo aos alunos (e suas famílias) a decidirem abandonar a escola e ingressar no mercado de trabalho”.[4]

Mais a frente, esses estudiosos reafirmam os prejuízos oriundos do modelo seriado escolar e os benefícios da progressão continuada para a permanência dos alunos na escola:

“A política de não reprovação pode afetar a decisão dos alunos em relação aos estudos (ou de seus pais, em seu benefício) em dois níveis. Independentemente de qualquer decisão de investimento a longo prazo, a reprovação tem um efeito psicológico ruim sobre o aluno, desincentivando a continuação dos estudos. Além disso, considerando o investimento em capital humano, o custo de um ano adicional de estudo torna-se mais alto com a repetência, o que pode reduzir o número de anos de escolaridade ótimo em um cálculo de maximização de retorno da educação. A política de não reprovação, portanto, pode mudar a decisão de alunos (ou pais) de evasão escolar”.[5]

Além de não oferecer condições à ocorrência de evasão escolar, as médias de desempenho nas escolas com progressão continuada são relativamente maiores às seriadas, como se pode observar na tabela abaixo.

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A tabela abaixo também traz as probabilidades estimadas de conclusão dos ensinos fundamental e médio na idade correta, assim como a probabilidade média independente das reprovações nessas fases. No caso das escolas com ciclo ou com progressão continuada, a probabilidade de conclusão de todo o ensino fundamental é de 61,3% e do ensino médio de 36,5%. Para as escolas seriadas essas probabilidades são de 50% e 24%, o que evidencia a defasagem idade-série e o fracasso desse modelo.

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Diante da superioridade da progressão continuada frente ao modelo seriado, observada nas tabelas e nos dados acima expostos, é interessante questionar o porquê dela. Por que o uso de ciclos contribui, positivamente, para a permanência escolar e à melhoria do desempenho dos alunos?

(A resposta fica para a próxima parte dessa investigação).

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Autor: 🤠Gabriel Zanni, historiador responsável pelo portal Logados na História.

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Referências: 

[1] Vitor Henrique Paro. Progressão Continuada, supervisão escolar e avaliação externa: implicações para a qualidade do ensino. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 48, set.-dez., 2011, p. 697.

[2] Vitor Henrique Paro. Progressão Continuada, supervisão escolar e avaliação externa: implicações para a qualidade do ensino. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 48, set.-dez., 2011, p. 697-698.

[3] Naércio Menezes Filho; Lígia Vasconcellos; Sérgio Ribeiro da Costa Werlang; Roberta Loboda Biondi. Avaliando o Impacto da Progressão Continuada nas Taxas de Rendimento e Desempenho Escolar do Brasil. 13º LACEA, São Paulo, 2008, p. 2.

[4] Naércio Menezes Filho; Lígia Vasconcellos; Sérgio Ribeiro da Costa Werlang; Roberta Loboda Biondi. Avaliando o Impacto da Progressão Continuada nas Taxas de Rendimento e Desempenho Escolar do Brasil. 13º LACEA, São Paulo, 2008, p. 14-15.

[5] Idem, p. 11-12.

E AÍ, GAROTX?

O que você vai ser quando crescer?

Quando esta pergunta é feita para uma criança, mais num tom de especulação e brincadeira, as respostas não são levadas tão a sério. Ouvem-se as mais variadas respostas e, em geral, acha-se engraçado. Ou por influência da carreira do pai, ou da TV (séries, desenhos, novelas etc.), as crianças, em seus mundos mágicos, sonham em ser alguma coisa quando crescer.

No entanto, quando chega o Ensino Médio, as respostas começam a conter um teor bem mais sério. No terceiro ano então, aí é que o “bicho pega”. Na hora de escolher a Universidade e o curso, é inegável que a escolha vai gerar certa ansiedade e incerteza. Não é para menos; a escolha da carreira, provavelmente, irá impactar no resto da vida de uma pessoa. Não tenho dados estatísticos a respeito, mas é menos comum alguém abandonar o curso e voltar a prestar vestibular para entrar em um outro curso. Portanto, acertando ou não, muitos acabam “tolerando” a profissão para o resto da vida. É muito tempo para fazer algo de que não se goste!!!!!

Assim, é muito importante acertar na escolha; é fundamental tomar algumas medidas com relação aos testes vocacionais, porém, isto não garante o acerto. Até por estarmos em constantes mudanças, podemos muito bem adorar uma profissão hoje e não gostar mais daqui a pouco. Ou “achar” que gosta muito de alguma profissão, mas na hora de fazer o curso perceber que ele não é bem aquilo que você imaginava. No entanto, é preciso coragem para mudanças caso não se identifique com a carreira escolhida, pois passar boa parte do tempo fazendo algo que não se gosta deve ser muito ruim; além do que, em geral, vai fazer mal e ser um péssimo trabalhador.

Durante muito tempo em que fui professor de cursinho preparatório para vestibular, ao ser questionado pelos alunos sobre este tema, minha resposta sempre foi a mesma (e ainda continuo tendo a mesma opinião): “se você gosta MUITO MUITO de alguma área, seja qual for, mesmo que não tenha um apelo grande de empregabilidade e salário, FAÇA E VÁ SER FELIZ. Porém, se não tem muito clara sua escolha, se gosta de muitas áreas (como no meu caso), procure fazer um curso de “boa aceitação” de mercado; cursos com boa empregabilidade, por exemplo”.

Procure ouvir familiares, amigos, professores e especialistas vocacionais, porém, não esqueça que a decisão final deve ser sua! Pressão familiar, Empregabilidade, Salário, entre outras questões pesam muito na escolha, mas será você que irá conviver com a escolha para o resto da vida.

UMA BOA ESCOLHA E SEJA UM BOM PROFISSIONAL!

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Autor: 🔬Prof. Dr. Daltamir Maia, docente na área de Química no IFSP e autor de livros didáticos.

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Sugestões: veja mais sobre o assunto pela visão de uma vestibulanda em nosso texto O QUE EU QUERO SER?

A IMPORTÂNCIA DO “OUTRO” NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Desde a constituição do ser humano, o Outro tem um papel fundamental. Primeiramente a mãe, o pai, a família e depois outras pessoas (babá, professores, colegas): são os Outros existentes na vida da criança.

E esse papel fundamental se justifica pela existência, sobrevivência e manutenção do desenvolvimento humano.

A existência e sobrevivência de um bebê que depende 100% dos cuidados do Outro, é compreensível e concretamente visualizado, pois um bebê abandonado numa lata de lixo morrerá em poucas horas. Mas o que seria essa manutenção como papel fundamental do Outro no desenvolvimento humano?

O ser humano se constitui e constrói sua personalidade através da interação que realiza com o mundo externo (o Outro). Mogli constitui-se menino-lobo através da interação com o Outro. Tarzan é mais um exemplo.

A manutenção que o Outro realiza na vida do ser humano decorre por todas as fases de desenvolvimento (antes do nascer até o final da vida). É o espelho, onde projetamos nossas necessidades e satisfações e nos reconhecemos enquanto humanos. É um elemento fundamental na constituição da saúde ou da patologia humana – lembrando que um sintoma é constituído por três bases (inato, ambiente e relações).

O grande desafio que o mundo contemporâneo nos traz é como garantir a manutenção das relações humanas, em tempos de relacionamentos no campo cibernético, individualizações aceleradas, desapegos afetivos, enfim, a solidão em meio à multidão. A tal da “modernidade líquida”, citada por Bauman, onde as relações humanas são encurtadas, porém transformadas e distorcidas, num mundo fluído, volátil, diariamente mutável.

Não culparemos os avanços digitais pelo afastamento das relações humanas, mas sim o comportamento diante desse avanço. O excesso, como em qualquer situação, tem trazido, principalmente às crianças, afastamentos dos vínculos afetivos, dificuldades de socialização e interação com outras da mesma idade, troca de brincadeiras ao ar livre, gerando inclusive malefícios à saúde física.

É fato que as amizades virtuais não substituem as reais: o olhar, o abraço, o sorriso ou o choro, não podem ser trocados pelos “emojis” que os representam sem a real emoção. No entanto, estudos científicos revelam que a liberação de oxitocina, mesmo em menor quantidade, faz mudanças nos padrões cerebrais, e isso pode ser um facilitador para as amizades reais.

Uma pesquisa feita pela Agência France Presse, mostra que amigos (laços emocionais verdadeiros), trazem qualidade de vida e longevidade. Ter um amigo reduz a probabilidade de a pessoa desenvolver depressão e duplica as chances de cura da pessoa deprimida em 6 a 12 meses. Essa relação afetiva dá a sensação de completude e alegria. Há liberações de oxitocina, cortisol e endorfina, hormônios responsáveis pela sensação de prazer e bem estar.

Para concluirmos, a única forma de garantirmos as manutenções de nossos relacionamentos, é nos aprimorando na arte de cuidar do Outro e dos sentimentos dele. Apreço, afeição, empatia, respeito, confiança, são algumas atitudes positivas que nos ajudam a lidar com as diversidades e adversidades que contemplam as relações humanas.

Segue um trecho do Poema “Mãos Dadas” de Carlos Drummond de Andrade…

“Não serei o poeta de um mundo caduco

Também não cantarei o mundo futuro

Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças

Entre eles, considero a enorme realidade

O presente é tão grande, não nos afastemos

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”

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Autora: 🙋🏻Aline Pandolfi, psicóloga e orientadora educacional.

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Referências Bibliográficas:

FREUD, S. “Obras Completas” – 2ª. Edição, Rio de Janeiro: Imago Editora, 1987

WINNICOTT, D. W. “Os bebês e Suas Mães” – 2ª. Edição, São Paulo: Martins Fontes, 1999

BAUMAN, Z. “Modernidade Líquida” – Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001

FERNANDES, E.G. “Solidão real na era digital”. Revista Psique Ciência & Vida, São Paulo: Editora Escala, Edição 148, Páginas 36-43, 2018

RODRIGUES, C. D. P. “Ciência comprova que amigos são essenciais”. Revista Psique Ciência & Vida, São Paulo: Editora Escala, Edição 151, Páginas 56-63, 2018

DEMOCRATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

A democratização da educação e o acesso ao Ensino Superior Público no Brasil

Carlota Boto em seu artigo A educação escolar como direito humano de três gerações: identidades e universalidades, enquanto descreve o que seria a “escola ideal”, ela considera a Educação um direito humano, o qual deve estar ao alcance de todos os indivíduos.[1]

Não só Carlota Boto defende o acesso de todos à educação, mas também a atual Constituição brasileira a afirma. O novo texto constitucional – promulgado em 5 de outubro de 1988 – trouxe importantes vitórias como o reconhecimento da extensão dos direitos sociais, incidindo diretamente no campo educacional.

No art. 205, a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família, sendo fomentado e motivado com o auxílio da sociedade.[2]

O art. 208 estabelece as obrigações do Estado com a educação. O artigo afirma sete garantias à população. Dentre eles, a quinta se liga diretamente à questão do acesso ao Ensino Superior, em que nela há a “possibilidade de acesso à graduação e à pós-graduação”.[3]

No Capítulo 2 – Dos Direitos Sociais – inserido no Título 2 (Dos direitos e garantias fundamentais), o Artigo 6º determina que um dos direitos sociais seja a educação.[4]

Entretanto, que bom seria se tudo o que estivesse escrito no texto constitucional, ocorresse na realidade. A contradição é observada quando confrontamos a Teoria, isto é, a Constituição Brasileira, com a Prática, aquilo que se vê no cotidiano educacional. Sendo a educação um direito fundamental que deve ser assegurado, quando se passa à realidade, a maior parte do que se nota é um ensino público carente de recursos e de baixa qualidade. A “escola” brasileira convive com a organização ineficiente de um sistema educacional subdividido e desigual que oferece para os alunos pobres – em sua maioria – um ensino de baixíssima qualidade.[5]

A partir desses elementos, o acesso ao Ensino Superior (também garantido pela Constituição) é um dos problemas que envolvem a Educação brasileira, o qual se agrava ainda mais quando se trata do ingresso dos estudantes nas universidades públicas.

Segundo algumas pesquisas como as da GEA (Grupo Estratégico de Análise da Educação Superior no Brasil), o que se nota, atualmente, é a maior entrada de estudantes nas instituições privadas, em detrimento do baixo acesso às universidades públicas e federais. De acordo com os pesquisadores, “a relação entre oferta pública e privada observada na educação básica se inverte na educação superior, onde desde os anos 90 as instituições particulares contam com 75% da matrícula.”[6] A partir disso, é possível ver o quão baixo está o acesso ao Ensino Superior público no Brasil.

Outro aspecto importante é a porcentagem de alunos pobres no Ensino Superior público. Com base nos dados levantados pelo GEA, mais da metade dos alunos vem das classes sociais mais altas, enquanto os alunos pertencentes aos grupos mais pobres da população permanecem em minoria nas universidades públicas.

Porcentagem semelhante se vê também nas proporções dos estudantes originários das escolas públicas. De acordo com as estatísticas levantadas pelos pesquisadores, grande parte dos alunos que ingressam nas faculdades públicas brasileiras estudou em escolas particulares. Segundo o GEA: “É necessário inferir, portanto, que, para um aluno originário do ensino médio privado e pago, a oportunidade de chegar à educação superior, em especial em cursos de alta demanda, é várias vezes superior a de seus colegas originários da escola pública e gratuita”.[7]

Com base nesses elementos, cabe ao governo brasileiro refletir ou reconsiderar a estrutura da educação superior pública no país. É necessária e urgente a criação de uma série de medidas que articulem expansão e democratização da educação. Dessa forma, será possível fazer com que o Ensino Superior Público passe a promover a igualdade de oportunidades, acesso, inclusão e permanência para todos os futuros estudantes.[8]

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Autor: 🤠Gabriel Zanni, historiador responsável pelo portal Logados na História.

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Referências:

[1] Carlota Boto. A educação escolar como direito humano de três gerações: identidades e universalismos. Educação e Sociedade. Campinas, v. 26, n. 92, p. 795.

[2] Eliana Franco Teixeira. O direito à educação nas constituições brasileiras. Belém, PA: UNAMA, 2001, p. 100.

[3] Idem, p. 110-111.

[4] Marcos Cezar de Freitas. História Social da educação no Brasil. São Paulo: Cortez, 2009, p. 320.

[5] Cadernos do GEA. n.1 (jan./jun. 2012). Rio de Janeiro: FLACSO, GEA; UERJ, LPP, 2012, v. Semestral, p. 6.

[6] Cadernos do GEA. n.1 (jan./jun. 2012). Rio de Janeiro: FLACSO, GEA; UERJ, LPP, 2012, v. Semestral, p. 5.

[7] Idem, p. 9-10.

[8] Idem, p. 10.

O QUE EU QUERO SER?

Essa pergunta começa a ser feita quando nós somos crianças e as respostas são astronauta, veterinária, policial, cantor, bailarina, motociclista, professora, bombeiro, lixeiro, modelo, aeromoça, entre outras. Para nós, nesta época, é mais por brincadeira ou um sonho que está muito longe de se realizar. Entretanto, os anos passam, essa escolha vai se aproximando e também mudamos. Não somos mais aquelas crianças sonhadoras, e assim, o que respondíamos na infância deixa de ser a nossa escolha.

É complicado escolher o que você vai fazer pelo resto de sua vida aos 16, 17 ou 18 anos. Pois no momento achamos que essa é a escolha correta, porém o que faremos se for algo de momento e a escolha certa não for a tomada? Será que nos conhecemos o suficiente para decidir isso, se nem mesmo as pessoas mais velhas se conhecem? Essa decisão deve ser puramente racional, emocional ou um conjunto dos dois? Devemos colocar na balança a opinião de outras pessoas? Devemos considerar mais o salário ou a satisfação pessoal? Como podemos decidir se não conhecemos a rotina da profissão?

Temos que arriscar, pois precisamos decidir em algum momento. Se errarmos, começar novamente é uma opção, mas não é a mais prática. A maioria vai tentar esquecer e continuar trabalhando para ganhar seu sustento, postergando a própria felicidade para depois do expediente, nas férias ou quando se aposentar. Como pode ser visto em uma pesquisa feita pelo Deloitte’s Shift Index, 80% dos entrevistados não estavam felizes com seu trabalho, mas não pretendiam mudar de carreira. Esse comportamento pode causar doenças físicas, mentais e emocionais. Poucas pessoas veem que trabalhar tem que ser bom, tem que fazer bem, ser um dos causadores da felicidade e não uma barreira para ela. Temos que procurá-la, mesmo que, talvez, ela só possa ser alcançada em uma utopia. A busca por ela também é importante, já que isso motiva as mudanças e os momentos felizes são raros nesse mundo caótico.

Por isso vou falar um pouco sobre mim, pois talvez um exemplo ajude. Eu sinto esses medos todos os dias, essas inseguranças. Mas mesmo com toda essa pressão de “tem que ser agora”, tentei escolher a profissão que me faria mais feliz. Que tenha um ambiente em que eu me sinta confortável e aceita, que venha ser a minha segunda casa, onde eu possa continuar fazendo o que eu mais gosto. Tem horas que ainda congelo por não ter certeza, mas ainda vejo que é a decisão mais assertiva. Então, se você, aluno que está passando pela mesma coisa que eu, quiser um conselho, te diria pra seguir seu coração. Escolher uma profissão que te coloque em um meio querido, que se sinta à vontade. Seja com a vida de alguém em suas mãos, um novo motor de alta potência para um foguete, cuidando das psiques humanas, fazendo contas mirabolantes ou até espalhando o conhecimento que você adquiriu ao longo de sua vida, tendo esse ambiente de pressão ou não.

Resumindo com algumas palavras do professor Flavio Bastos, que me deu aula a alguns anos atrás: “tenho certeza que um dia você será uma ótima professora como seria jornalista, engenheira e até astronauta, eu só desejo sempre que, independente da sua escolha, você seja sempre muito feliz!”. Preze pelo seu bem estar físico, mental e emocional. Siga os seus sonhos, não desista, pois, por mais difícil que seja, uma hora vai dar certo!

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Autor: 👩‍🏫 Ana Laudares, estudante de Ensino Médio, poeta em Espelho da Alma e futura professora de Física e Matemática.

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Referências:

Delloite’s Shift Index

AVALIAÇÃO FORMATIVA E CONSTRUTIVA

De acordo com HOFFMAN (2012): “a permanente curiosidade do professor sobre a criança é ponto de partida da avaliação.”

Na prática docente, o ato de ver e ouvir as crianças é de fundamental importância para este processo e deve ser um exercício constante, desenvolvido e aprimorado pelo professor e pela instituição como parte da ação educativa.

As aprendizagens, a socialização e as interações entre adultos e crianças são pilares que sustentam a avaliação na educação infantil. Adultos e crianças são personagens principais do processo educativo. A criança vista como protagonista, sujeito potente, ativo e inventivo; o professor, parceiro mais experiente, é convocado a ler, reconhecer, valorizar, mediar e documentar, oferecendo possibilidades educacionais que potencializem o desenvolvimento psíquico, cognitivo e social.

Para isso, devem ser feitas análises subjetivas e objetivas de critérios do desenvolvimento infantil, como por exemplo:

  • Movimento: orientação no tempo/espaço, expressão corporal em atividades, controle de movimentos e habilidades motoras;
  • Música e Arte: distinção de sons, expressão corporal através de música/ritmo, lateralidade em brincadeiras rítmicas, apreciação de obras, percepção e uso das cores, coordenação motora fina, recortes e colagem com autonomia;
  • Social e Emocional: respeito à regras de convívio, atitudes de cooperação, interação em grupo, autonomia, iniciativa e autoconfiança;
  • Linguagem: interação comunicativa, reconhecimento de letras do alfabeto, escuta e apreciação de leitura de textos, narrativa de histórias com sequência temporal, estabelecimento de relação entre som e letra;
  • Matemática: noções básicas de formas geométricas, contagem oral e sequência lógica, comparação de números à quantidade, compreensão de situações problema;
  • Natureza e Sociedade: reconhecimento de características pessoais, nomeia as partes do corpo, identifica animais e seu habitat, compreende o calendário, adota atitudes de conservação e preservação do espaço.

E ainda tendo em vista os eixos estruturantes das práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica propostas pela BNCC, seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na Educação Infantil, as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam empenhar um papel ativo nesta construção. São elas:

  • Aprender a Conviver;
  • Aprender a Brincar;
  • Aprender a Participar;
  • Aprender a Explorar;
  • Aprender a Expressar-se;
  • Aprender a Conhecer-se.

Sendo assim, quanto ao registro e análise do processo de aprendizagem e desenvolvimento, é preciso acompanhar diariamente essas práticas de aprendizagens, realizando observações da trajetória e evolução de cada criança e de todo o grupo, utilizando de atividades, jogos, relatórios, portfólios, fotografias, desenhos, textos, etc.

Através da avaliação contínua, professores, coordenadores e orientadores conseguem observar e analisar o processo de aprendizagem individual, verificando, através de estímulos, atitudes ou características que não correspondam ao resultado esperado para a faixa etária. Todas essas observações podem sinalizar para a família a necessidade de uma possível pesquisa, intervenção e/ou tratamento relacionados aos transtornos e dificuldades de aprendizagem, como por exemplo: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Dislexia, Discalculia, Transtorno do Espectro Autista, Distúrbio do Processamento Auditivo Central.

Até o controle de frequência dos alunos é fator importante no processo de avaliação. Todo início de aula, através de uma simples atividade, é possível fazer um controle da presença dos alunos: pode ser a tradicional “chamada” nome a nome por parte do professor, ou até propor que os próprios alunos se apresentem aos colegas, colocando junto ao seu nome uma cor favorita ou uma palavra nova que aprendeu. Diversas brincadeiras podem permitir que o professor, além de registrar os alunos presentes, aproveite para construir e avaliar um dos critérios já citados, como: linguagem oral e comunicação, classificação e ordem alfabética, noção da quantidade de alunos na sala, variação de humor, entre outros.

Para ZABALA (1998, p. 220), as avaliações devem ser rotineiras e constantes, além de quase que obrigatoriamente serem diversificadas tanto em relação aos objetos de estudo quanto em relação aos sujeitos da avaliação.

Segundo ele:Também devemos aprender a confiar nas possibilidades dos alunos para auto-avaliar seu processo. O melhor caminho para fazê-lo é ajudar os alunos a alcançar os critérios que lhes permitam se auto-avaliar, combinando e estabelecendo o papel que esta atividade tem na aprendizagem e nas decisões de avaliação que tomam. A auto-avaliação não pode ser um episódio nem um engano; também é um processo de aprendizagem de avaliação do próprio esforço e, portanto, é algo que convém planejar e levar a sério.”

A auto-avaliação pode ser construída desde os anos iniciais, desde que bem preparada e explicada. Como consequência natural, desenvolve no aluno auto conhecimento, além de capacidade de adaptação e superação, pois passa a ter controle sobre suas ações e sentimentos.

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Autores:

👠 Erika Picolo, graduada em pedagogia e coordenadora pedagógica.

🤓 Rafael Pellizzer, professor de matemática e coordenador pedagógico.

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Referências:

HOFFMANN, J. Avaliação e educação infantil: um olhar sensível e reflexivo sobre a
criança. Porto Alegre: Mediação, 2012.

ZABALA, A. A avaliação. In: A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Art Méd, 1998. cap. 8, p. 195-200.

CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

A influência da tecnologia na construção do conhecimento

Dentre tantos outros papéis que as escolas devem se atentar, num contexto de crescimento exponencial da tecnologia, seus educadores cada vez mais se depararão com essa geração virtual do imediatismo e presentismo (carpe diem), em que se preza o agora em detrimento do futuro, uma vez que este está fora de alcance e parece muito distante de nós.

A internet, as redes sociais, os celulares, os jogos online, trazem, de fato, o desenvolvimento de uma capacidade nos jovens em lidar com o mundo atual. No entanto, já começa a se tornar perceptível que, tendo em mãos um celular ou qualquer dispositivo com internet passamos a depositar neles, nossas capacidades de pensar. É muito mais fácil e confortável procurarmos as respostas no wikipédia, por exemplo, do que tentarmos propriamente pensar sobre e chegar a uma conclusão para a pergunta.

A memória das gerações mais novas difere da memória das gerações anteriores justamente por causa da revolução tecnológica em que vivemos. Muitos estudos já mostram que a tecnologia afeta exacerbadamente nossa memória. Cada vez mais delegamos nossos próprios saberes aos aparelhos celulares ou computadores. Estes armazenam dados sem que precisemos nos preocupar em memorizar as informações, tornando-nos incapazes de lembrar de assuntos vistos num curto período de tempo.

Nas escolas isso se torna bastante evidente. Com a grande quantidade de conteúdos vistos diariamente, cresce a dificuldade em guardá-los. Acredito que estamos ficando à mercê dos servidores de armazenamento e do crescente acesso a informação e, desta forma, prejudicando nossas capacidades cognitivas de servirmos de nosso próprio conhecimento (sapere aude!). É nesse contexto que se encontra a importância de ao menos procurar instigar as futuras mentes para que a curiosidade faça parte da construção do conhecimento dos jovens. Assim, desafiar a mente e despertar inspirações nos alunos pode fazê-los caminhar para o desejo de sair da mera condição de receptores de informação e do pensamento de que a internet solve todas as questões.

Erasmo de Rotterdam, diz que os sábios são indivíduos levados ao vício e distanciados da felicidade, pode até ser, mas é através dos pensamentos constantes, perturbadores e absurdos que conseguimos sair do conforto e conformidade para entrar num mundo desconhecido e temeroso, mas cheio de possibilidades.

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Autor: 👩‍🔬Isabella Marchi Coelho, estudante apaixonada por ciências.

OBESIDADE INFANTIL

Obesidade infantil é coisa séria!

Os cuidados com os ambientes que envolvem as crianças em grande parte do tempo (a casa e a escola) são muito importantes, pois a sua influência na adoção de bons hábitos pode ser essencial para a prevenção da obesidade infanto-juvenil. Recente estudo publicado pelo British Medical Journal revelou que filhos de mulheres que praticam estilo de vida saudável, têm 75% menos probabilidades de desenvolverem obesidade. A escola é uma grande fonte de exemplos para as crianças, então sua responsabilidade é igualmente fundamental. A genética tem suas influências, mas os hábitos são os maiores responsáveis, tanto pela saúde, quanto pela doença.

Dois dos principais hábitos responsáveis pela saúde são a alimentação adequada e a prática regular de atividade física. Sem a incorporação deles na nossa rotina, haverá grandes possibilidades do desenvolvimento da obesidade, uma das principais causas de morte em todo o mundo e está relacionada a uma variedade de comorbidades.

Assim, má alimentação, pouca atividade física e sedentarismo são fatores determinantes para excesso de peso e obesidade, em conjunto com outros hábitos de vida e consumo. Portanto, é cada vez mais clara a necessidade de políticas e ações, em todas as esferas da sociedade, voltadas para maior conscientização sobre as consequências do estilo de vida.

E quando se fala no estabelecimento de políticas, a escola é um ambiente fértil para o seu desenvolvimento e transformação em cultura. É de responsabilidade de todas as instituições de ensino, portanto, atuar para as boas práticas, também nesse tema, pois é na infância que se definem os caminhos do futuro, para o bem, ou para o mal.

Apesar de tantos alertas, pesquisas revelam que a obesidade infantil atinge índices alarmantes no mundo todo. Nos últimos 40 anos, o número de crianças e adolescentes obesos cresceu cerca de dez vezes, atingindo 124 milhões de pessoas. E no Brasil não é diferente… A taxa é também muito elevada. O ministério da Saúde estima que 33% das crianças entre 5 a 9 anos já estejam acima do peso.

A maior preocupação com esse tema reside no fato de que a obesidade pode desencadear o desenvolvimento de várias e sérias doenças, ainda na infância: hipertensão arterial, dislipidemias (aumento de colesterol e triglicérides), diabetes, doenças respiratórias, cardiovasculares e osteorticulares, com consequências desastrosas para toda a vida.

Não menos graves e importantes, o desenvolvimento de problemas emocionais como ansiedade, depressão, que podem levar ao isolamento, queda no rendimento escolar e o tão temido bullying e suas repercussões.

Estudos publicados na 22° edição do Boletim Cientifico que utilizou uma corte epidemiológica francesa denominada “CONSTANCES”, apontou uma relação direta entre a obesidade e a utilização de recursos de cuidados de emergência, aumentando ainda mais em casos de obesidade severa. O aumento de 60,2% na população obesa no Brasil em 12 anos impacta diretamente nos desafios dos setores de saúde, que já buscam alternativas para lidar com a maior longevidade, fator positivo e que deve ser comemorado, mas que carrega, consequentemente, aumento de comorbidades da população, entre outros fatores.

Considerando a população geral, segundo dados da Agência Saúde do Ministério da Saúde, obtidos com o último Vigitel – Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – após anos de crescimento, a prevalência de obesidade e excesso de peso estagnou-se nas capitais do país e brasileiros já demonstram hábitos mais saudáveis.

A pesquisa Vigitel de 2017 apontou, entretanto, que quase 1 em cada 5 (18,9%) são obesos e que mais da metade da população das capitais brasileiras (54,0%) está com excesso de peso. Na contramão destes altos percentuais, observou-se, positivamente, que o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 4,8% (de 2008 a 2017). Quando observado o consumo recomendado, 5 ou mais porções por dia em cinco ou mais dias da semana, houve aumento de mais de 20% entre os adultos de 18 a 24 anos e 35 a 44 anos. A prática de atividade física no tempo livre também melhorou, aumentando 24,1% (de 2009 a 2017) e o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 52,8% (de 2007 a 2017) saindo de 30,9%, em 2007, para 14,6% no ano passado.

Mas, apesar das mudanças positivas nos hábitos da população, os níveis de obesidade e excesso de peso ainda preocupam nos jovens. Em dez anos, houve o crescimento de 110% no número de pessoas de 18 a 24 anos que sofrem com obesidade, quase o dobro do aumento em todas as faixas etárias (60%). Quanto ao excesso de peso, o crescimento foi de 56%.

O incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades físicas é prioridade do Governo Federal. O Ministério da Saúde adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país, assumindo como compromisso:

1. deter o aumento da quantidade de obesos na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional;

2. reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019;

3. ampliar em no mínimo 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada, a publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. Em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), o Ministério também conseguiu retirar mais de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos processados em quatro anos. O país também incentiva a prática de atividades físicas por meio do Programa Academia da Saúde com mais 3.800 polos habilitados.

Em todas essas medidas, a escola pode ser a propulsora de mudanças culturais, implantando, orientando e adotando práticas de consumo mais saudáveis; hábitos que favoreçam maior mobilidade e atividades físicas dos alunos; atividades de socialização dos alunos, favorecendo os contatos físicos, mesclados aos eletrônicos, tudo na dose e na medida certa da modernização, essencial para o desenvolvimento das crianças, mas sem prejuízo do fator humano, primordial para a saúde emocional de todos e base para futuros adultos mais seguros, autoconfiantes, saudáveis e produtivos.

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Autora: 💆🏻Neusa Pellizzer, fisioterapeuta, gerontóloga e gestora de promoção à saúde

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Sugestões de aprofundamento e referências:

https://www-segs-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/www.segs.com.br/saude/126582-obesidade-em-criancas-e-adolescentes-atinge-indices-alarmantes/amp

http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/43604-apesar-de-obesidade-em-alta-pesquisa-mostra-brasileiros-mais-saudaveis

http://iess.org.br/?p=blog&id=734