ESCOLA E AFETO

Max Marchand em A Afetividade do Educador escreve sobre o que chamou de “par educativo”: educando e educador na construção mútua da aprendizagem sob um laço essencialmente afetivo. Para o autor, o afeto passa ser a liga do desenvolvimento na educação. Se por esse viés o “par educativo” é a essência da educação, então nem educador e nem criança são o centro da escola, mas sim a relação. A escola é um ponto de encontro, e base territorial das relações entre adultos e crianças para a produção do que chamamos educação.

Educar é produzir afeto. E afeto não é o que o senso comum compreende como uma relação obrigatoriamente amorosa ou carinhosa. Wallon traduziu a afetividade como a motivação emocional primordial com o meio e os outros, ou seja, aquilo e aqueles que potencialmente podem até certo ponto educá-lo. Assim penso: não há educação sem afeto. Aliás, vou além: afeto não é uma relação necessariamente amorosa, mas sim uma relação empática, ou seja, que comunica. Uma relação de diálogo.

O diálogo então passa a ser também o centro da educação, onde falar e ouvir possuem o mesmo valor. Paulo Freire que o diga… Podemos imaginar uma educação onde a fala do aluno é tão preciosa quanto à do professor? Além disso, há possibilidade desse último ouvir? Ouvir mais? Tanto quanto seus alunos? Que escola seria essa, que possibilitaria o diálogo?

Essa é uma pergunta talvez para outro texto. Mas não há dúvidas de que diante do atual contexto social e histórico em que vivemos o diálogo passa a ser no mínimo um caminho de esperança. E se a escola assume seu papel de transformar o que aí está, também deve assumir o diálogo e o afeto como produção de si mesma.

Um longo caminho se mostra quando reconhecemos o diálogo na educação.

▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪▪

Autor: 🦁Victor Augusto Silva, educador Freinet e coordenador de Ensino Médio..

victor augusto