COORDENADOR OU BOMBEIRO?

Em todas as conversas entre coordenadores, em todos os blogs que discutem o assunto, sempre aparece a expressão “apagar incêndios”. E isso realmente acontece todos os dias. Levando em conta que um incêndio é uma emergência que deve ser resolvida rapidamente e da maneira menos prejudicial possível, essa é sim uma das funções de um coordenador pedagógico. Mas não pode ser a principal.

Para discutir a afirmação acima e explicitar o dia-a-dia do Coordenador Pedagógico, educador normalmente formado ou especializado em pedagogia, dividiremos este post em três etapas.

1) Desafios da profissão

Os principais obstáculos e desafios enfrentados pelos coordenadores escolares são:

  • Organizar seu tempo para que sua função não seja apenas “apagar os incêndios”;
  • Mediar com bom senso e segurança as relações aluno-aluno, aluno-professor, professor-escola, escola-pais;
  • Ter/conquistar apoio da direção da escola para que haja autonomia em seu trabalho;
  • Ter/conquistar confiança do corpo docente para que a equipe se construa em uma mesma direção;
  • Atender, de maneira minimamente possível e satisfatória, às expectativas de todos os grupos que compõe a educação escolar: alunos, familiares, professores e gestores;
  • Aliar teoria e prática no processo de ensino-aprendizagem;
  • Aliar experiência e juventude no grupo de professores e saber liderar a equipe de maneira que todos estejam abertos a aprender uns com os outros;
  • Mostrar a todos, através do exemplo, que não há resposta pronta para todas as perguntas e que devemos sempre buscar novos conhecimentos, pois basicamente uma escola se faz de alunos-aprendentes, alunos-ensinantes, professores-aprendentes e professores-ensinantes.

2) Atribuições e funções principais

Listaremos a seguir tarefas e situações que necessariamente são responsabilidades do coordenador pedagógico escolar e precisam estar em sua rotina diária e em seu planejamento anual.

  • Construção e acompanhamento, juntamente com direção e professores, do Projeto Político Pedagógico (PPP) que norteará o caminho seguido pela escola;
  • Ter conhecimento sobre a legislação educacional, principalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA/1990), a Lei de Diretrizes e Bases (LDB/1996) e o Plano Nacional de Educação (PNE/2014);
  • Fazer a ponte escola-pais, através de atendimentos individuais ou reuniões em grupo, informando constantemente aos responsáveis a situação escolar do aluno em questão;
  • Ter contato direto (em aula, em conversas particulares ou mesmo em intervalos) com seus alunos, buscando uma relação de confiança e respeito;
  • Criar um sentimento de parceria dentro da equipe, proporcionando momentos de interlocução e diálogos com os professores;
  • Promover o questionamento e a reflexão constante por parte dos professores, apoiando e organizando cursos de formação e aprofundamento;
  • Cuidar e sempre buscar melhorarias qualitativas no processo de ensino-aprendizagem através da promoção de práticas inovadoras, uso de tecnologia educacional, escolha de material, organização de planejamento e currículo, além do olhar amplo para as múltiplas dificuldades e inteligências;
  • Articular as possibilidades de construção interdisciplinar, a fim de que o compromisso com a formação do aluno seja não-fragmentada, conciliando e confrontando propostas pedagógicas e currículos obrigatórios;
  • Demonstrar por atitudes e exemplos práticos a importância da formação integral e contínua aos seus professores e alunos, fazendo novos cursos de especialização e atualização;
  • Construir e liderar sua equipe com maestria e eficiência, potencializando seus pontos fortes e traçando planos de superação para suas vulnerabilidades e fraquezas.

3) Atribuições e funções não-principais

A lista abaixo contém tarefas diárias do ambiente escolar que, em algumas escolas, podem acabar sendo realizadas pelo coordenador. Como em qualquer quadro de designação de cargos de uma empresa, pode ficar estipulado que os itens abaixo são de responsabilidade do coordenador pedagógico, todavia é de suma importância que haja preferência e prioridade pelas funções principais citadas no item 2. Essas atribuições poderiam ser realizadas por outros profissionais dentro da escola, permitindo que o coordenador exerça sua real função.

  • Questões administrativas, financeiras ou burocráticas, como visitar empresas para fechar parcerias ou cuidar dos pagamentos dos alunos (podem ser realizadas pela direção, pela tesouraria ou pela secretaria);
  • Questões de organização, como fiscalizar a entrada e saída de alunos ou conferir se as classes estão limpas e arrumadas (podem ser realizadas por um assistente de corredor ou da limpeza);
  • Substituir professores em caso de faltas (este é um “incêndio” que na maioria dos casos pode ser antecipado criando a equipe colaborativa citada no item 2, na qual os professores avisam com antecedência suas ausências e outros podem ser designados para substituí-lo);
  • Questões pessoais de alunos ou professores (o coordenador deve sim ter momentos de atendimento para conhecimento e auxílio individual, mas o ideal é que haja um orientador ou psicólogo escolar);
  • Questões disciplinares (nesta situação o coordenador pedagógico deve também estar envolvido, já que trata do contato direto com os alunos – e possivelmente os professores, mas ele pode ter a ajuda de um orientador educacional, psicólogo escolar ou até um coordenador disciplinar).

Para que os desafios e obstáculos, que naturalmente existirão para qualquer coordenador pedagógico, sejam consistentemente superados, são essenciais a busca constante por novas formações e aprofundamentos, além da observação e sensibilidade práticas.

Concluímos este texto, enfatizando que o coordenador deve agir preventivamente com organização e planejamento, evitando possíveis “incêndios” durante o percurso. Deve também criar uma equipe colaborativa, promovendo a integração de todos os indivíduos que fazem parte do processo de ensino-aprendizagem, estabelecendo relações interpessoais saudáveis e agregadoras. Ele atua entre a direção da escola e os professores, mas também se relaciona com os alunos e familiares, necessitando então buscar sempre o equilíbrio entre todas as partes. Finalmente, o coordenador deve garantir que a aprendizagem formativa e cognitiva dos alunos ocorra da melhor maneira possível, interligando as diferentes áreas do conhecimento e objetivando a emancipação da criança como um ser social e individual.

E se você chegou até aqui e em algum momento desconfiou se realmente é possível fazer tudo isso, sinto dizer que não, não é possível. A perfeição não existe, mas como é apaixonante buscá-la dia após dia!

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Autor: 🤓Rafael Pellizzer, professor de matemática e coordenador pedagógico.

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Referências e sugestões de aprofundamento:

ENTREVISTA COM BEATRIZ GOUVEIA, FORMADORA DE COORDENADORES

O PAPEL DO COORDENADOR PEDAGÓGICO

DESAFIOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO

UM BOM COORDENADOR PEDAGÓGICO

O QUE FAZER E O QUE NÃO FAZER?

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